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Guilherme Silva Teixeira, de 24 anos, suspeito de assassinar brutalmente o professor João Emmanuel Ribeiro, 32 anos, filho do vice-prefeito de Isaías Coelho-PI, foi atuado em flagrante homicídio por motivo fútil, associado à homofobia, e por motivo torpe, em razão da extrema violência empregada contra a vítima. Ricardo Viana, delegado-chefe da 35ª DP de Brasília, detalhou à RECORD Brasília que o suspeito confessou o crime em interrogatório e admitiu ter cometido o que chamou de “a loucura da vida”.
O delegado relatou que as equipes policiais chegaram ao suspeito através de câmeras de segurança da região. A partir dos vídeo, os policiais identificaram um homem parado em frente a um veículo, em seguida, ele atravessa a rua em direção à vítima, ele retorna, conversa com outra pessoa e deixa o local de carro. Durante o depoimento, Guilherme afirmou que aguardava o patrão para irem ao trabalho quando teve um primeiro contato com a vítima, do outro lado da rua. Inicialmente, ele relatou que pensou que a vítima estava querendo um 'baseado', que ele nega. A vítima teria tentado um novo contato que ele interpretou que ele queria um ato sexual, pelos gestos que a vítima teria feito, o que teria provocado a reação violenta.

"Ele fica parado na frente do veículo, atravessa a rua e, posteriormente, atravessa a rua no sentido que a vítima estava. Ele retorna, conversa com uma outra pessoa, pega um veículo e saiu do local [...] Ele relata que estava indo para o trabalho, ele mora próximo à região, o patrão dele é um dos vizinhos da vítima, ele para ali naquele momento no carro para esperar o patrão descer da residência e nesse momento a vítima chega. A vítima entra em contato com ele, do outro lado da rua, ele não entende o que a vítima estava falando, ele vai até o meio da rua, e lá ele não entendeu o que a vítima falou. Para ele, ele interpretou que a vítima estava querendo um baseado. Ele fala que não. Posteriormente, a vítima tenta um novo contato e ele interpreta esse contato, pela gesticulação que a vítima fez, que ele estava querendo um ato sexual", detalhou.
Ainda conforme o delegado, o suspeito relatou que, tomado pela raiva, atravessou a rua e iniciou uma sessão de espancamento contra o professor João Emmanuel Ribeiro, com socos, chutes e pisões no rosto. A sandália utilizada por Guilherme foi apreendida e apresenta marcas compatíveis com as lesões encontradas na face da vítima.

"Nesse momento ele fica colérico, irado, atravessa a rua novamente, e começa a sessão de espancamento, com chutes, socos, pisões na face. Inclusive a sandália que foi apreendida ontem, que ele estava calçando, tem marcas dela no rosto da vítima. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio duplamente qualificado pelo motivo fútil, que aí entra a homofobia, e pelo motivo torpe, repugnante, dele ter matado a vítima com as próprias mãos, com chutes, socos e pisões", contou.
O patrão do suspeito também foi indiciado, mas por favorecimento pessoal, após ter dado fuga ao funcionário logo após o crime. Ele assinou um termo de compromisso para comparecer ao Juizado Especial Criminal e foi liberado, por se tratar de um crime de menor potencial ofensivo. A polícia chegou a avaliar a possibilidade de autuação por omissão de socorro, por ter visto a vítima agonizando, mas descartou a hipótese após apurar que a esposa do patrão acionou o Corpo de Bombeiros enquanto eles deixavam o local.

"O patrão dele, por ter dado fuga a ele logo após o crime, foi autuado pelo crime de favorecimento pessoal, que é um crime de menor potencial ofensivo. Ele assinou um termo de compromisso em comparecimento ao juizado especial e foi liberado posteriormente. Nós chegamos a analisar a situação do crime de omissão de socorro por parte do patrão, mas o que que acontece? O Guilherme, quando pratica o crime, que o patrão desce do apartamento, o Guilherme relata o que que tinha feito. O patrão atravessa a rua, vai lá na vítima, vê a vítima agonizando, chega a virar vítima e a partir daquele momento ele faz contato com a esposa e fala ‘chama o Corpo de Bombeiros que a gente tem que sair daqui", disse o delegado Ricardo Viana à RECORD Brasília.
A investigação também apontou que Guilherme possui antecedentes por desacato e, quando menor de idade, respondeu por ato infracional análogo a roubo. Segundo o delegado, o suspeito não possui histórico recente de crimes graves e admitiu, em depoimento, ter cometido o que classificou como “a loucura da vida”.
"O Guilherme tem uma passagem pelo crime de desacato, também de menor potencial ofensivo. Ele foi preso no ano de 2016, quando era menor, por um ato infracional análogo a roubo. Maior de idade ele tem só esse desacato e era uma pessoa que formou família, tava com dois filhos, tinha companheira, e conforme ele mesmo colocou no seu interrogatório, praticou 'loucura da vida dele'",ressaltou.
O caso teve grande repercussão pela brutalidade. A vítima, que trabalhava como professor em Brasília, foi enterrado sob forte comoção no Piauí nesta terça-feira (06).
Fonte: Portal A10+