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Familiares de Weleverton Cunha do Nascimento, de 27 anos, morto após uma perseguição policial na noite de domingo (10), em Timon, no Maranhão, conversaram com a TV Antena 10 sobre o caso nesta segunda-feira (11). Os parentes contestam a versão apresentada pela Polícia Militar do Maranhão e afirmam que existem inconsistências nas informações repassadas sobre a morte do jovem. A ex-mulher de Weleverton, Fernanda Almeida, afirmou que a família recebeu diferentes versões sobre a ocorrência desde o momento em que chegou ao local.
“Existem muitas contradições que chamam atenção. Quando a gente chegou, falaram que ele estava assaltando. Depois falaram que ele trocou tiros com a polícia. E hoje outra pessoa, que não sei se é responsável pelo caso, postou um vídeo dizendo que ele sacou a arma e colocou entre as pernas. Como é que a própria polícia apresenta três versões diferentes? Para a família dizem que foi assalto, depois dizem que teve troca de tiros... Como que teve troca de tiros se ele foi alvejado pelas costas?”, disse Fernanda Almeida.

Ainda segundo a ex-mulher, a família também questiona a ausência de imagens de câmeras de segurança que poderiam ajudar a esclarecer o caso. Segundo Fernanda, uma mulher que afirmou ter imagens sobre o ocorrido mudou sua versão após falar com uma suposta policial.
“Outra coisa: quando uma moça falou na esquina que lá tinha uma câmera, a própria policial foi rapidamente até o gradeado e conversou com ela. Depois eu perguntei: ‘moça, você vai disponibilizar as câmeras?’ E ela disse que não, que não estava funcionando. É muito estranho isso tudo. Quando fomos falar com a perícia, eles foram os primeiros a dizer que não teve arma”, declarou Fernanda.
O avô de Weleverton, Francisco José, também pediu justiça e afirmou que o neto era conhecido na comunidade onde morava.
“Foi uma covardia da polícia atirar no meu filho, que é meu neto, mas é como um filho para mim, porque fui eu quem o criou. Estou pedindo encarecidamente ao governador do Maranhão que faça justiça por esse crime bárbaro que cometeram contra o meu filho. Ele era um cidadão, todos os vizinhos aqui são testemunhas. Ele tinha uma lojinha aqui na Rua 100, todo mundo conhece, porque eu fui fundador desse bairro e nenhum de nós aqui tem passagem pela polícia. Procurei criar meu filho, o pai dele, o tio, os irmãos, os sobrinhos e os demais familiares com os mesmos princípios”, afirmou Francisco José.

Em outro trecho do relato, o avô voltou a negar que Weleverton tenha reagido à abordagem policial. “Atiraram na cabeça dele, mentindo, dizendo que ele reagiu, e ele não reagiu. Se ele estava com arma na cintura, eu não sei. Eu nunca usei arma na minha vida. E essa não foi a criação que dei para os meus filhos e netos. Eu só queria que o governo tivesse solidariedade nesse caso e não deixasse isso impune”, completou.
O primo da vítima, Antonio Ruan, também classificou a ação policial como uma execução e pediu o afastamento dos agentes envolvidos.
“É uma tristeza tremenda. Eu peço justiça pelo que fizeram. Foi uma injustiça com ele. A polícia atirou, foi uma execução. Tiro na cabeça. Todo mundo sabe a formação da polícia, que não deve atirar na cabeça, independente se ele fugiu ou não. Disseram que ele atirou, mas ele não puxou a arma em nenhum momento. E atiraram na cabeça dele. Peço justiça ao governador Brandão, que tome providências sobre esse caso e afaste esses policiais”, declarou Antonio Ruan.
Versão da Polícia Militar
Em entrevista à TV Antena 10 e ao A10+, a Polícia Militar do Maranhão informou que a equipe realizava patrulhamento por volta das 18h30, quando avistou dois homens em atitude suspeita em uma motocicleta. Segundo a corporação, durante a tentativa de abordagem, os suspeitos teriam desobedecido à ordem de parada, mesmo com sinais sonoros e luminosos da viatura acionados, dando início a um acompanhamento tático.
De acordo com o major Jamerson, durante a perseguição, o passageiro da motocicleta retirou uma arma da cintura e fez menção de apontá-la para um dos policiais. Diante da situação, o agente efetuou um disparo.
Ainda conforme a PM, o homem atingido caiu da motocicleta metros depois. O piloto conseguiu fugir e, até o momento, não foi identificado.
Segundo a Polícia Militar, uma pistola calibre 380 foi encontrada no local. Após consulta nos sistemas de segurança, a arma apresentou registro em nome de um policial militar do Piauí.
Fonte: Portal A10+