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Esquema milionário em Wall Ferraz: MP denuncia prefeito Guilherme Maia, o pai dele e empresários por fraudes e desvio de recursos

Processo aponta empresas sem sede, triangulação financeira e danos superiores a R$ 1,5 milhão em uma cidade com pouco mais de 4 mil habitantes


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A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Piauí coloca um possível esquema de corrupção em Wall Ferraz, cidade de pouco mais de 4 mil habitantes, de volta ao cenário policial e judicial. O alvo central é o prefeito Luiz Guilherme Maia (PSD). Ele enfrenta uma acusação que expõe a montagem de uma estrutura criminosa dentro da própria Prefeitura. Não só o gestor, mas também seu pai, José Luiz Pereira de Sousa, e o empresário Weslley de Moura Bernardes, conhecido como Gasparzinho CDs, além de outros envolvidos. Todos são apontados como participantes de fraudes que teriam drenado mais de R$ 1,5 milhão dos cofres públicos usando duas empresas consideradas de fachada: GG Construtora e Serviços LTDA e Origimed Distribuidora LTDA.

A investigação começou em 2022 após denúncia à Delegacia de Combate à Corrupção (DECCOR)  levantar suspeita de que contratos de limpeza urbana, recuperação de estradas e fornecimento de materiais estavam sendo direcionados para empresas sem estrutura real. Mesmo após ter sido arquivado naquele ano, o processo voltou à tona em dezembro de 2025, quando o Ministério Público desarquivou o caso ao reunir novos elementos e concluir pela existência de um esquema estruturado. Agora, cabe ao desembargador Sebastião Ribeiro Martins decidir se a denúncia será recebida.

  
Esquema milionário em Wall Ferraz: MP denuncia prefeito Guilherme Maia, o pai dele e empresários por fraudes e desvio de recursos Reprodução
 
 
 

Segundo o MP, o núcleo do esquema operava através das empresas GG Construtora, pertencente a Weslley Bernardes, e Origimed, ligada ao concunhado do prefeito e a um funcionário do pai do gestor. Somente a GG Construtora teria recebido R$ 547 mil em 2022 e R$ 584 mil em 2023, totalizando mais de R$ 1,1 milhão entre contratos de limpeza pública e obras de recuperação de estradas. Já a Origimed, que segundo o MP funcionava num imóvel pertencente ao pai do prefeito, teria emitido notas fiscais que somam R$ 206,5 mil, mesmo nunca tendo atuado para clientes privados e sem apresentar estrutura mínima, como sede identificável, estoque ou funcionários.

O papel de José Luiz Pereira de Sousa, pai do prefeito, é descrito na denúncia como decisivo. Além de ser proprietário do terreno onde a Origimed estava registrada – descrito pela investigação como uma construção precária que posteriormente chegou a ser demolida –, ele teria emitido notas fiscais para a GG Construtora, permitindo que parte dos recursos recebidos pela empresa retornassem para a própria família do prefeito. O MP descreve essa dinâmica como triangulação financeira destinada a ocultar a origem ilícita do dinheiro público desviado.

O documento também afirma que a GG Construtora não possuía máquinas, caminhões, funcionários ou condições técnicas para executar contratos milionários. O próprio dono da empresa teria admitido em interrogatório que usava diaristas e máquinas alugadas, o que violaria diretamente o edital de licitação, que proibia subcontratação parcial ou total. O MP destaca que essa condição teria permitido à empresa operar com custos artificialmente baixos, vencendo licitações e simulando a prestação de serviços que, segundo a investigação, eram irregulares ou inexistentes.

Para o Ministério Público, o prefeito Guilherme assumiu o papel de liderança política e administrativa do esquema ao homologar licitações com vícios, ordenar despesas e autorizar pagamentos que, conforme os investigadores, tinham como destino final um grupo familiar e empresarial fechado. Ele é denunciado por peculato, fraude à licitação, lavagem de dinheiro, crime de responsabilidade e organização criminosa. O pedido do MP inclui não só a responsabilização criminal, mas também o ressarcimento integral de R$ 1.501.611,20, valor que corresponde ao montante supostamente drenado por meio das empresas investigadas.

A denúncia agora aguarda decisão do Tribunal de Justiça. Caso o relator aceite o pedido, os acusados serão formalmente citados para apresentar defesa. Nos bastidores do município, o clima é de inquietação, especialmente porque o processo envolve pessoas próximas ao prefeito e toca em estruturas sensíveis da administração, como licitações, fiscalização de contratos e pagamentos públicos. Para uma cidade de pequeno porte, onde a rotina política e pessoal se misturam em poucos quilômetros, o impacto psicológico e social é evidente: moradores falam em sensação de abandono, ansiedade coletiva e perda de confiança no poder público.

O caso promete marcar a política de Wall Ferraz em 2026, seja pelo eventual desdobramento judicial, seja pela pressão popular por transparência. Enquanto isso, a comunidade aguarda respostas para entender como uma prefeitura que administra orçamentos modestos pode ter visto mais de um milhão de reais correr por estruturas que, segundo o MP, sequer existiam fisicamente.

Fonte: Portal A10+


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Sobre a coluna

Wesslley Sales

Wesslley Sales

Jornalista, Especialista em Marketing Político, Mídias Sociais e Comunicação Produtor, Apresentador e Repórter na TV Antena10 Radialista e Redator

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