Estados Unidos e Rússia fazem a força virar regra ao invadir Venezuela e Ucrânia, abrindo sinal verde para China entrar em guerra com Taiwan - Bastidores
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Estados Unidos e Rússia fazem a força virar regra ao invadir Venezuela e Ucrânia, abrindo sinal verde para China entrar em guerra com Taiwan

No vácuo deixado pelo fim da Guerra Fria, grandes potências passaram a relativizar a verdade e usar narrativas convenientes


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A invasão da Ucrânia pela Rússia e a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela não são eventos isolados. Juntas, essas ações estabelecem um precedente perigoso no sistema internacional: o de que grandes potências podem violar a soberania de outros países sempre que seus interesses estratégicos forem apresentados como “ameaçados”. Nesse contexto, a pergunta que se impõe é direta — e incômoda: se Rússia e Estados Unidos podem invadir, por que a China não poderia fazer o mesmo com Taiwan?

A lógica que sustenta essas ações é semelhante, ainda que envolta em discursos distintos. Moscou alegou ameaça da Otan. Washington fala em combate ao narcotráfico e defesa da democracia. Pequim, por sua vez, afirma que Taiwan é parte inseparável de seu território e que qualquer aproximação militar com os Estados Unidos cruza uma “linha vermelha”. O pano de fundo, porém, é o mesmo: riqueza, poder e controle geopolítico. Vamos entender o que se esconde por trás desse jogo de mentiras e narrativas para justificar os ataques.

  
Estados Unidos e Rússia fazem a força virar regra ao invadir Venezuela e Ucrânia, abrindo sinal verde para China entrar em guerra com Taiwan
 
 
 

Venezuela: petróleo, minerais e influência no hemisfério

Um país rico de povo pobre, menos sua elite. Assim se estabelecia a ditadura comanda por Nicólas Maduro. O regime socialista chavista prendeu adversários e promoveu eleições fraudulentas mantendo Maduro no poder. Acusado de ser líder do narcotráfico por Donald Trump, foi sequestrado, mas estranhamente os coronéis e a elite que comanda o cartel de drogas continuam no alto escalão do Governo da agora Presidente Delcy Rodríguez. Essa é a parte política da história.

Quando se observa a cobiça americana, estampada nos primeiros posicionamentos de Dondald Trump após a invasão, tudo fica mais claro. A Venezuela concentra uma das maiores reservas de petróleo do mundo, além de ouro, gás natural, terras raras e outros recursos estratégicos. Embora o regime chavista seja autoritário e marcado por corrupção, a narrativa do combate ao narcotráfico levanta suspeitas quando analisada à luz da história recente.

Os Estados Unidos já intervieram direta ou indiretamente em diversos países sob justificativas semelhantes, frequentemente substituindo governos por lideranças igualmente corruptas, desde que alinhadas aos seus interesses. A Venezuela, nesse tabuleiro, representa energia, influência regional e contenção de adversários geopolíticos.

Ucrânia: celeiro do mundo e peça-chave da Europa

A Ucrânia não é apenas um território estratégico entre a Rússia e a Europa Ocidental. O país abriga algumas das terras agrícolas mais férteis do planeta, sendo um dos maiores exportadores globais de grãos. Além disso, possui reservas significativas de carvão, minério de ferro, gás natural e elementos estratégicos para a indústria moderna, como as terras raras.

Controlar a Ucrânia significa, para a Rússia, manter influência sobre rotas energéticas, frear o avanço ocidental e preservar sua condição de potência regional. A guerra, portanto, não se resume à segurança russa, mas à manutenção de poder econômico e político em um espaço vital.

Taiwan: o coração da tecnologia global

É em Taiwan, contudo, que o risco global atinge seu ponto máximo. A ilha é responsável por grande parte da produção mundial de semicondutores avançados — componentes essenciais para celulares, carros, sistemas militares, inteligência artificial e praticamente toda a economia digital moderna.

Controlar Taiwan significa, na prática, controlar o fluxo da tecnologia crítica do século XXI. Não por acaso, os Estados Unidos aprovaram a maior venda de armas da história para a ilha, enquanto a China responde com sanções e ameaças diretas. A disputa não é apenas territorial: é tecnológica, econômica e estratégica.

Por que o mundo está mais perigoso do que na Guerra Fria

Durante a Guerra Fria, apesar da tensão constante, havia regras tácitas. Estados Unidos e União Soviética sabiam até onde podiam ir. O medo da destruição nuclear funcionava como freio. Hoje, esse freio enfraqueceu.

O mundo atual é mais perigoso por três razões centrais:

  1. Multipolaridade instável: não há apenas dois polos de poder, mas vários atores fortes com interesses conflitantes.

  2. Erosão das instituições internacionais: a ONU perdeu capacidade real de mediação; o veto virou instrumento de bloqueio, não de equilíbrio.

  3. Normalização da guerra preventiva: invadir passou a ser uma opção política aceitável, desde que bem justificada no discurso.

Ao aceitar a invasão da Ucrânia como fato consumado e a intervenção na Venezuela como legítima, o sistema internacional autoriza, ainda que indiretamente, a China a agir contra Taiwan. O argumento é simples: se a força define o direito, quem tem mais poder impõe sua versão da verdade.

A geopolítica atual não é movida por valores, mas por interesses. Democracia, segurança e combate ao crime tornaram-se narrativas úteis para legitimar disputas por recursos, território e influência.

Ao contrário da Guerra Fria, em que o medo do colapso global impunha limites, o mundo de hoje parece testar constantemente até onde pode ir — como se estivesse disposto a repetir os erros do passado, agora com armas mais letais, tecnologias mais destrutivas e menos disposição para o diálogo.

O resultado é um planeta menos seguro, mais fragmentado e perigosamente próximo de transformar conflitos regionais em um colapso global.

Fonte: Portal A10+


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Sobre a coluna

Wesslley Sales

Wesslley Sales

Jornalista, Especialista em Marketing Político, Mídias Sociais e Comunicação Produtor, Apresentador e Repórter na TV Antena10 Radialista e Redator

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