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A Federação União Progressista, formada pelo PP e pelo União Brasil, divulgou nesta terça-feira (27) uma nota oficial em apoio à reeleição do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado Federal. O documento é assinado pelos presidentes nacionais das duas siglas, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antonio Rueda (União Brasil), e representa um movimento importante na articulação para definir o comando do Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.

A manifestação ocorre em um momento de intensa negociação política. Após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Alcolumbre, buscam apoio do Palácio do Planalto e de partidos do Centrão para permanecer nos cargos. Lula, por sua vez, sinaliza apoio às duas reconduções como parte de uma estratégia para construir uma base parlamentar capaz de garantir governabilidade no próximo mandato.
A nota da União Progressista dá a Alcolumbre um respaldo partidário relevante, mas não encerra a disputa. A federação terá 87 deputados federais eleitos e, no Senado, PP e União Brasil somarão 12 cadeiras na nova composição — seis de cada partido. O PL, entretanto, chega à próxima legislatura com a maior bancada nas duas Casas e pretende transformar esse resultado eleitoral em poder na condução do Legislativo.
PL quer as presidências e aposta no tamanho das bancadas
O Partido Liberal terá 121 deputados federais e 28 senadores na composição prevista para 2027. A força numérica coloca a legenda em posição de reivindicar o comando de uma ou das duas Casas, embora a eleição das Mesas Diretoras dependa de articulações e votos de parlamentares de diferentes partidos. No Senado, o nome de Rogério Marinho (PL-RN) aparece entre as alternativas para enfrentar Alcolumbre.
O desafio do PL é que a maior bancada, por si só, não garante a presidência. O Centrão reúne partidos que podem negociar apoio aos atuais presidentes em troca de participação nas decisões do Congresso e de espaços no governo federal. Essas legendas também têm interesse em influenciar a composição ministerial e assegurar canais de diálogo com Lula, mesmo diante de um Congresso que terá uma presença expressiva da oposição bolsonarista.
A disputa, portanto, não se resume ao número de parlamentares eleitos. O que está em jogo é a construção de uma maioria capaz de definir quem controla a pauta, conduz as sessões e organiza a tramitação de projetos e requerimentos. A votação é secreta, o que torna os acordos partidários importantes, mas não garante que todos os integrantes das bancadas seguirão a orientação de suas direções.
O crescimento do PL nas eleições legislativas de 2026 ocorreu em meio à perda de espaço de partidos tradicionais do Centrão, como PP, União Brasil, PSD e MDB. A legenda bolsonarista ampliou suas bancadas na Câmara e no Senado, enquanto siglas de centro sofreram derrotas importantes, especialmente na composição da Casa Alta.
O resultado pode acelerar a disputa por espaço e influência no Congresso. Diante do avanço do PL, partidos do Centrão tendem a buscar alternativas para preservar seu protagonismo, inclusive por meio de negociações com o presidente Lula, que precisa construir uma base parlamentar para garantir governabilidade em seu quarto mandato.
Para essas legendas, a aproximação com o Planalto não representa necessariamente alinhamento ideológico, mas pode funcionar como estratégia de sobrevivência política: garantir espaço no governo, influência sobre a agenda legislativa e capacidade de participar das decisões nacionais. Ainda assim, o Centrão mantém poder de negociação e pode apoiar o governo em determinadas pautas sem abrir mão de sua autonomia.
Impeachment de ministros do STF divide os candidatos
Um dos principais pontos de tensão na disputa pelo Senado é a posição de Alcolumbre sobre os pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. O senador tem sinalizado que não pretende colocar esses processos em andamento, especialmente os que envolvem o ministro Alexandre de Moraes. A decisão contraria uma das principais bandeiras de setores bolsonaristas, que defendem um presidente do Senado disposto a dar andamento às denúncias contra integrantes da Corte.
A pauta tem peso estratégico porque cabe ao presidente do Senado decidir se os pedidos de impeachment de ministros do STF avançam. A oposição quer alterar as regras para reduzir essa dependência da decisão individual do presidente da Casa. Para o PL, conquistar o comando do Senado significa não apenas ampliar sua influência sobre a agenda legislativa, mas também pressionar o Supremo.
A resistência de Alcolumbre a essa agenda pode dificultar sua aproximação com parte da bancada bolsonarista. Por outro lado, o apoio da União Progressista, somado à articulação com Lula e partidos do Centrão, fortalece sua tentativa de permanecer no cargo. O presidente do Senado tem afirmado a interlocutores que conta com votos suficientes para a reeleição, mas a disputa ainda depende de negociações e da votação secreta.
A governabilidade de Lula passa pelo Congresso
A reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre interessa ao governo Lula porque ambos mantêm canais de negociação com diferentes forças políticas. O presidente precisa construir uma maioria em um Congresso mais conservador, enquanto partidos do Centrão buscam garantir participação no governo e influência sobre as decisões legislativas.

A declaração de apoio da União Progressista à reeleição de Alcolumbre é, nesse cenário, mais do que um gesto de continuidade. Ela indica que a disputa pelo comando do Senado está ligada à reorganização das alianças após a eleição presidencial. O PL chega fortalecido pelas urnas e reivindica espaço, mas pode encontrar resistência de partidos que preferem manter os atuais presidentes e negociar diretamente com o Planalto.
A definição das presidências da Câmara e do Senado, prevista para 1º de fevereiro de 2027, será um dos primeiros grandes testes políticos do novo mandato de Lula. Até lá, o governo, o Centrão e o PL devem intensificar as conversas. O resultado mostrará se o tamanho das bancadas será suficiente para mudar o comando do Congresso ou se a capacidade de articulação dos atuais presidentes prevalecerá.
Fonte: Portal A10+