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Um vereador de Timon, no Maranhão, acusado de ser um dos mandantes de um homicídio ocorrido na zona rural do município de Matões, também no Maranhão, recebeu habeas corpus da Justiça e poderá responder ao processo em liberdade. A decisão também permite que ele retorne às atividades parlamentares na Câmara Municipal, o que gerou indignação entre familiares da vítima.
O vereador, conhecido como “Kaká do Frigo Sá”, estava foragido desde 2025, quando seu nome surgiu nas investigações como um dos mandantes do assassinato de Antônio de Pádua. O crime aconteceu em 2023 e, segundo a polícia, ao menos seis pessoas estariam envolvidas no homicídio.

De acordo com as investigações, Kaká teria acusado Antônio de Pádua de participação na morte de seu cunhado, conhecido como Carlinhos. No entanto, à época, foi aberta uma investigação policial que não conseguiu reunir provas que incriminassem Antônio no suposto crime. O homem apontado como cunhado era parente tanto da vítima quanto do vereador acusado.
Até o momento, quatro pessoas já foram presas por envolvimento no assassinato de Antônio. O vereador e um familiar dele fugiram assim que passaram a ser apontados como participantes do crime. Com a concessão do habeas corpus, Kaká deixa a condição de foragido e passa a aguardar o andamento do processo em liberdade.
Além da liberdade provisória, a decisão judicial possibilita que o vereador retome suas funções na Câmara Municipal, o que causou forte reação por parte da família da vítima, que cobra uma resposta das autoridades. A tia de Antônio de Pádua, Kátia Raquel, lamentou a decisão e pediu justiça ao Ministério Público.

“É muito triste porque a gente sabe que o vereador foi o cabeça, o mandante do crime do meu sobrinho. Pedimos uma resposta do Ministério Público. É uma coisa inaceitável que a Justiça timonense possa conceder um habeas corpus, sendo que já foi comprovado que ele foi um dos mandantes. Nossa família pede justiça, já que a gente não pode resolver com dinheiro, com bala, com guerra, nós pedimos que a Justiça e o Ministério Público resolvam essa situação. É inaceitável esse homem viver como se nada tivesse acontecido”, disse Kátia Raquel, tia de Antônio.
Já o presidente da Câmara Municipal de Timon, vereador Uilma Resende, explicou que o afastamento de um parlamentar só pode ocorrer em situações específicas previstas no regimento interno da Casa.
“O regimento interno da Câmara diz que um vereador só pode ser afastado do mandato em casos excepcionais, com trânsito em julgado. Ele não foi condenado, está sendo investigado e acusado. Ao término do ano, quando aconteceu o episódio, procurei o Ministério Público para que nos ajudasse, e eles disseram para descontar as faltas. Depois, o vereador usou do nosso regimento e pediu licença. Ele está licenciado até fevereiro. Nesse período afastado, ele ficou sem receber o salário”, explicou o vereador Uilma Resende, presidente da Câmara Municipal de Timon.

O caso segue sob investigação, enquanto a família de Antônio de Pádua aguarda por uma decisão definitiva da Justiça.
Relembre o caso
O Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) recebeu a denúncia do Ministério Público contra o vereador de Timon, Luís Carlos da Silva Sá, conhecido como “Kaká do Frigo Sá”, seu irmão Gildásio da Silva Sá, o sobrinho Gilfran Sá da Silva, e mais três homens suspeitos de envolvimento na morte de Antônio de Pádua Cunha Santos.
A juíza determinou que os seis acusados respondam pelo crime de homicídio qualificado, por motivo torpe e mediante recurso que dificultou a defesa da vítima.
Segundo o documento, obtido pelo A10+, os três familiares, Kaká, Gildásio e Gilfran teriam encomendado o assassinato por vingança acreditando que a vítima teria envolvimento na morte do cunhado deles, identificado como Antônio Carlos Gomes de Abreu, conhecido como “Carlinhos”. Para executar o crime, o trio teria oferecido uma recompensa de R$ 100 mil aos demais denunciados: Francisco Pereira da Silva, “Francinaldo”; Agenor Vieira Gomes Filho, “Agenorzinho” e Carlos Roberto Pereira, “Carlos Cigano”.
De acordo com a denúncia, os executores chegaram ao local do crime em uma caminhonete branca e efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra a vítima nas proximidades do Clube Pedro Mônica.
Fonte: Portal A10+