No A10Cast, advogado fala sobre o fim da escala 6x1 e os impactos para trabalhadores e empresas; assista!

Dr. Carlos Júnior explica as mudanças previstas com a aprovação da proposta, que prevê a redução da jornada de trabalho e a adoção da escala 5x2

O convidado do A10Cast deste sábado (7) é o advogado trabalhista Dr. Carlos Júnior, que explica a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1, modelo que garante apenas um dia de folga semanal aos trabalhadores. Durante a entrevista, o advogado explica como funcionarão as mudanças, os impactos para empregados e empregadores, as possíveis consequências econômicas e a aplicação das novas regras.

Carlos Júnior esclarece o significado do termo PEC e afirma que uma emenda constitucional funciona como uma atualização da Constituição Federal, que serve de base para as demais leis do país, incluindo as estaduais e municipais. Ele também explica que, quando aprovada, a emenda passa a integrar o texto da Constituição Federal. O advogado reforça que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho não é recente e ganhou força por volta de 2020, durante a pandemia.


“Já tem mais de 6,7 anos que há uma discussão sobre a aprovação dessa PEC. Faz tempo que o tema é debatido. Houve amplas discussões, audiências públicas e conversas com associações, representantes dos trabalhadores e sindicatos. Todos participaram. Até porque, quando a gente fala de uma emenda, quando você vai incorporar uma lei ao texto constitucional, tem que ter muita responsabilidade, porque é um texto que vai reger todas as leis do Brasil”, aponta Dr. Carlos.

O advogado Dr. Carlos Júnior explica as mudanças previstas com a aprovação da proposta, que prevê a redução da jornada de trabalho e a adoção da escala 5x2.

De acordo com Carlos Júnior, a implementação ocorrerá em etapas. A primeira está prevista para começar 60 dias após a promulgação, com a redução da carga horária de 44 para 42 horas semanais, mantendo os dois dias de folga. Após um ano, a jornada será reduzida de 42 para 40 horas semanais, também com dois dias de descanso. Segundo a proposta apresentada na entrevista, ambas as medidas devem ser aplicadas sem redução salarial. 

Trabalhadores Wilson Dias / Agência Brasil

   

“Inicialmente, serão 42 horas, cinco dias por semana. Inclusive, vai passar um pouco das oito horas diárias. E, daqui a um ano, daqui a 12 meses, será aplicada a sua integralidade: serão 40 horas semanais, normalmente, cinco dias por semana e dois dias de folga. E ali é o limite. Não quer dizer que você não possa trabalhar mais. Você pode trabalhar mais, evidentemente, se tiver suas horas extras garantidas”, afirma.

O advogado também relembra que os dias de descanso não precisam necessariamente ocorrer aos finais de semana e podem ser distribuídos durante a semana, mediante acordo com o empregador.

Carlos Júnior reforça a importância do contrato na relação entre trabalhador e empregador, que deve estabelecer as condições de funcionamento da medida, além de respeitar os limites das funções exercidas pelo trabalhador.

“Se o que a pessoa for realizar, a função que for realizar, for uma atividade lícita, também pode ser colocado. O que não pode é ultrapassar o limite que foi estabelecido no texto constitucional. Isso é importante”, destaca o advogado.

“As pessoas precisam estar com seus filhos no final de semana. As pessoas precisam estar com sua família, desfrutando ali de um momento de lazer, de descanso. E, quando o trabalhador chega em casa, sai do trabalho meio-dia, no sábado, pega uma condução e chega em casa às cinco da tarde, em São Paulo, por exemplo, a pessoa chega muito cansada”, ressalta Carlos Júnior ao falar sobre a importância de garantir o cuidado com a saúde dos trabalhadores.

Impactos econômicos para empresários e trabalhadores e os avanços da tecnologia

O advogado também fala sobre os possíveis impactos econômicos que a redução da jornada de trabalho pode trazer para o setor empresarial. Apesar dos desafios, ele acredita que a tecnologia pode auxiliar as empresas na adaptação às novas regras.

Para ele, as inovações tecnológicas permitem uma comunicação mais rápida entre empregadores e funcionários, além de facilitar o relacionamento dos trabalhadores com os clientes, inclusive em atividades de venda de produtos.

  

Advogado fala sobre a redução da escala 6x1 A10+

   

“Antigamente, uma audiência era marcada para Esperantina, para São Raimundo Nonato, e a gente tinha que se deslocar até lá. Olha o tempo que a gente perdia: era um dia para ir, outro dia para a audiência e outro dia para voltar. Eram três dias. Hoje, a audiência é virtual, dentro do seu escritório. Você abre o computador e faz a audiência, não perde tempo, fica mais barato e mais rápido. Ou seja, o investimento que o tribunal fez em tecnologia é para aprimorar o trabalho, deixá-lo mais barato, mais rápido, mais eficiente e mais eficaz”, explica.

Ele reforça que, à medida que a nova jornada for implementada, podem surgir desentendimentos entre patrões e funcionários. No entanto, destaca que a Justiça do Trabalho possui mecanismos para amenizar esses conflitos. Para os empresários, o advogado aponta a mediação com os empregados e o acompanhamento jurídico como medidas importantes.

“Sempre digo que a melhor forma de resolver os conflitos é prevenir. A figura de um advogado, por exemplo, orientando a empresa, é importante para que não aconteça esse tipo de problema”, destaca Carlos Júnior.

Além disso, o advogado explica quais medidas os trabalhadores podem adotar para melhorar a relação com os empregadores. Carlos Júnior também comenta os possíveis impactos para os cargos comissionados e volta a destacar como a tecnologia pode auxiliar em atividades como a venda de produtos.

Assim como aconselhou os empresários, o advogado recomenda que os trabalhadores mantenham uma boa relação com os empregadores e observem o cumprimento dos contratos estabelecidos.

“Então, a primeira coisa que eu digo é: mantenha uma boa relação. Quando não há uma boa relação entre empregado e empregador, começa a colocar em risco a própria produtividade daquela empresa. Então, é importante fazer isso. Segundo, sempre, sempre, sempre requeiram os seus direitos. Não tenham medo de reivindicá-los. É importante que vocês tenham esse entendimento, essa vontade, essa premissa de reivindicar seus direitos sempre que for necessário”, conclui o advogado.