A entrevistada deste sábado (25) do A10Cast, podcast da TV Antena 10, foi a médica Lorena Mesquita, neuropediatra especialista em autismo, TDAH e transtornos do neurodesenvolvimento infantil. Durante a conversa, ela abordou a crescente conscientização sobre o espectro autista, esclareceu dúvidas comuns e destacou a importância do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento adequado.
Ao comentar o aumento no número de diagnósticos, a especialista explicou que isso está diretamente ligado à ampliação do conhecimento e não a uma suposta “epidemia”, como muitos acreditam. Segundo ela, o maior acesso à informação tem contribuído para que mais casos sejam identificados corretamente.
"Não é frescura, que não é falta de limite. Então assim, a gente já sabe que hoje o autismo realmente aumentou a quantidade de pessoas com diagnóstico, mas isso não quer dizer que é porque virou uma pandemia, como as pessoas estão falando, que é porque agora tudo é autismo, mas não. A questão do autismo é porque agora se aumentou mais a quantidade de pessoas que conhecem mais e, consequentemente, fazendo-se diagnóstico. Hoje a gente já tem muitas orientações, hoje a gente já tem muitos meios de divulgar sobre autismo, então muitas pessoas estão mais esclarecidas", disse a médica Lorena Mesquita.
Lorena Mesquita também destacou que o autismo possui uma forte base genética, mas que fatores ambientais podem influenciar no desenvolvimento da condição. Ela ressaltou que já existem evidências científicas consolidadas sobre o tema.
"A gente já tem evidências científicas falando sobre o autismo ser genético, então existe a parte genética e existe o meio que também interfere. Então a gente sabe que a criança tem o gene e tem os fatores ambientais que interferem, desde problemas durante a gravidez, problemas durante o parto, então a gente já sabe", explicou.
Durante a entrevista, a neuropediatra detalhou alguns dos principais sinais de alerta que podem ser observados ainda nos primeiros anos de vida da criança, reforçando a importância da atenção dos pais e cuidadores para comportamentos atípicos.
Reprodução
"Um dos primeiros marcos que a gente vê é o atraso da fala. Então, aquela criança que tem, por exemplo, um ano, que ele não fala 'mamã', que ele não fala 'papá', que ele não fala 'dá', aquela criança que não obedece a um comando que você faz, por exemplo, dar tchau, mandar beijo. Então, o atraso da fala é um dos principais sintomas que os pais identificam. Aquela criança que, por exemplo, está na creche e ela prefere brincar sozinha do que brincar com as outras crianças. Aquela criança que você chama ela pelo nome, ela não olha, ela não atende, ela não olha nos teus olhos. Aquela criança que você coloca uma musiquinha mais alta e a criança fica ali, com a mãozinha no ouvido, porque ela não gosta daquele barulho", relata.
A especialista também enfatizou que os primeiros anos de vida são fundamentais para o desenvolvimento infantil e que o estímulo adequado pode fazer toda a diferença no futuro da criança.
"Sempre quando estou conversando com os pais, eu gosto de falar como se a cabecinha daquela criança, nos primeiros 3 a 4 anos de vida, fosse um terreno fértil, que ali a gente vai plantando algumas árvores, e plantar significa estimular. Se aquela cabecinha é fértil, e a gente fizer o estímulo correto através das terapias, essa criança vai ter um desenvolvimento muito bom, em que todos esses sinais, esses sintomas, se tornam menos evidentes. O nosso principal foco para aquela criança é o quê? Que ele tenha mais autonomia, melhor socialização, que seja mais independente, que tenha melhor comunicação. Mas, para isso, precisa identificar cedo, precisa que os pais entendam que não existe isso de deixar no tempo dele. Se você identificou cedo, estimula cedo", falou ao A10Cast.
Outro ponto levantado foi a necessidade de ampliar a rede de atendimento especializado, garantindo que mais crianças tenham acesso a terapias e acompanhamento adequado, além de preparar melhor as instituições de ensino para lidar com esses casos.
"Está precisando é descentralizar mais os atendimentos e ter mais centros especializados para essas crianças, com todas as terapias. A gente precisa que as escolas também passem por uma reciclagem, que as escolas passem a dominar mais sobre o assunto, sobre o autismo, sobre o TDAH, para que também possam ajudar essas crianças, ajudar essas famílias. É difícil... depois que você tem um diagnóstico, que você tem um laudo, pensa: e agora?", disse Lorena.
O A10Cast vai ao ar todo sábado, às 13 horas, na TV Antena 10. O programa também é disponibilizado na íntegra no YouTube após exibição na TV. Siga o perfil no instagram: @a10cast.