Polícia rebate versão de legítima defesa do homem que matou o próprio pai em Teresina; esfaqueou e usou pedra para desfigurar rosto da vítima

Em post do A10+, irmão rebate versão de que o pai teria abusado de Victor Gomes. Ele pediu justiça pelo caso

Atualizada às 12h33

A Secretaria de Segurança Pública do Piauí concedeu entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (29), sobre a prisão de Victor Gomes de Carvalho, de 23 anos, que matou brutalmente o próprio pai Sebastião da Cruz Oliveira Gomes, na zona Leste de Teresina. O crime ocorreu na noite da última segunda-feira (26).

  
Polícia rebate versão de legítima defesa do suspeito de matar o próprio pai em Teresina; veja detalhes do crime Chico Filho/ TV Antena 10/A10+
 
 
 

Segundo o delegado Divanilson Sena, a versão dada pelo indivíduo que teria cometido o crime em legítima defesa não é coerente. "Essa versão dele de que foi legítima defesa, a priori, não prospera. A gente tem bastante elementos. Inclusive, testemunhas falaram que eram constantes as discussões. Ele solicitava dinheiro para comprar droga,  ficava alterado, e falando coisas indevidas. Então, a gente não acredita nessa situação da legítima defesa que ele alega", afirma. 

Suspeito de matar o próprio pai é preso Reprodução

   

Durante interrogatório, Victor deu detalhes de como ocorreu o crime. Ele chegou a relatar que teria furado os olhos do pai de forma intencional, e que também teria usado uma pedra para desfigurar o rosto da vítima.

"Ele próprio alega que quem desferiu o primeiro golpe foi ele. Ele alegou que estava na cozinha, próximo a uma mesa, pegou essa faca de cabo vermelho. E, na discussão com o pai, ele alega que o pai pegou um facão. Mas ele confessa que o primeiro golpe foi ele que desferiu. Foi no peito. Em seguida, enquanto a vítima caía, ele seguia golpeando. E, segundo ele, após a vítima cair, ele se ajoelha e desfere mais golpes. Parte desses golpes foram na tórax e, principalmente, na face. Ele confessa que furar os olhos foi intencional. E, após a faca quebrar, ele para de golpear o pai, alega que pega uma pedra pesada que estava na cozinha e joga essa pedra contra a cabeça do pai. Em seguida, ele vê a cabeça esmagada do pai e começa a vomitar. Diz que vai ao banheiro, toma banho, pega a moto do pai e foge", descreveu o delegado Danúbio Dias. 

O delegado reforçou que o depoimento prestado pelo indivíduo confirma o que já havia sido apurado sobre o caso, conforme relatos de testemunhas e o cenário do crime. "Ele alega que não estava drogado, que estava lúcido. O relato dele segue a cronologia correta. A dinâmica, obviamente, e os laudos vão corroborar ou não. Ele não demonstra arrependimento. Alega que foi tomado pela fúria, no momento, que cometeu o crime", destacou.

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Em vídeo, o qual o A10+ obteve acesso, o homem alegou que no momento do assassinato, não estava drogado, e que o pai Sebastião da Cruz Oliveira Gomes, estava o xingando e armado com um facão. No entanto, a polícia aponta que a vítima foi brutalmente morta a facadas após se negar a dar dinheiro para o filho comprar drogas.

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"Estava voltando da oficina ajeitando minha moto quando cheguei lá, ele começou a discutir comigo, aí ele disse: Vem! Vem!! Foi na hora que eu peguei a faca, ele também estava com um facão, foi a hora que a fúria subiu para a mente, o sangue subiu a cabeça. Foi motivo de vingança porque ele era um abusador safado. Eu era menor de idade, ele me apagava, eu não me lembrava mais de nada. [...] Ele me espancava, já tentou me aleijar para ele receber salário. Eu nunca me esqueci disso, tinha até relevado, mas teve uma hora que ele começou a me xingar, dizendo que eu não valia nada, dizendo que eu era terrorista, bandido, vagabundo, sendo que eu estava estudando, certinho, querendo crescer na vida", afirmou.

Em post do A10+, nas redes sociais, um irmão de Victor negou as acusações de abuso.  "Ele nunca foi abusado pelo meu pai. Meu pai era um homem trabalhador que passava o dia trabalhando, e ele vem dizer que foi abusado. Justiça pelo meu pai", escreveu. 

O A10+ apurou que o jovem, após passar dias cercado por policiais, decidiu se entregar em um posto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) nesta madrugada. Durante a fuga, ele se escondeu em uma área de mata e chegou a ficar nu. Após a rendição, foi conduzido à delegacia e ficará à disposição da justiça.