Os sonhos de Janaína Bezerra, uma jovem de 22 anos, foram destruídos de forma brutal pelo feminicídio. O autor do crime, Thiago Mayson da Silva Barbosa, chegou a ser condenado a mais de 18 anos de prisão, mas o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI). A dor da perda ecoa até hoje na família da estudante de jornalismo que, mesmo três anos depois do assassinato, continua lutando por justiça.
Maria do Socorro Nunes da Silva, mãe de Janaína, vive entre a dor profunda da perda e a esperança de que o assassinato brutal da filha não fique impune. Enquanto aguarda a definição da data do julgamento, ela relatou à TV Antena 10 como têm sido os anos marcados pela ausência da filha e pela longa espera por justiça.
“Esses três anos de sofrimento, nós estamos esperando o juiz marcar esse julgamento [o novo]. A gente tá sofrendo muito e nós só queremos justiça pela Janaína, porque cada dia que se passa é um sofrimento. Eu choro, eu fico esperando por resposta. Foi anulado [o julgamento], mas até agora não se resolveu nada. [...] Eu tô querendo justiça pela Janaína porque três anos não são três dias”, desabafou.
Em 2023, Janaína estava perto de concluir o curso de Jornalismo. A mãe conta que ela esperava a resposta sobre um estágio em uma emissora de TV. A formatura também já estava sendo organizada, paga com muito esforço da jovem.
“Ela estava só esperando ser chamada. A gente tava torcendo que tudo dê certo. A festa estava sendo organizada. Ela estava pagando a festa dela. Ela disse: 'mãe, eu vou pagar para no dia não se aperrear'. Então, foi destruído tudo e foi um pedaço de mim. Ia tudo dar certo. Se ele não tivesse entrado na vida da Janaína, tinha tudo dado certo. Tinha nada dado errado. Minha filha tava terminando, falta tão pouco, um ano e pouco”, relembrou.
Segundo Maria do Socorro, Janaína era o alicerce da família. “Minha filha era tudo aqui dentro. Era ela quem ajudava a gente”, disse.
Após o crime, a casa da família carrega silêncios e saudades. O pai vive em depressão: “ A gente tá sofrendo, a gente tá muito abalado. Meu esposo tá em depressão, tá parado, esperando. Porque minha filha era tudo aqui dentro de casa. Minha filha é que ajudava a gente, minha filha tava lutando. Então, foi um sonho destruído. Depois que a Janaína saiu daqui dentro, foi só tribulação. A gente quer uma resposta, quer justiça. Só isso que eu peço”, desabafou.
Janaína foi morta na madrugada de 28 de janeiro de 2023, dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, após uma calourada. Uma jovem cheia de sonhos e planos, que teve a vida arrancada com violência. O acusado pelo crime, Thiago Mayson da Silva Barbosa, chegou a ser condenado a mais de 18 anos de prisão. No entanto, o julgamento foi anulado pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), após questionamentos da defesa sobre possíveis falhas cometidas pelos jurados. Desde então, não há nova data para o júri.
O crime foi filmado pelo próprio acusado, que tentou apagar as imagens do celular, segundo a Polícia Civil. Ainda assim, o júri não reconheceu a qualificadora de feminicídio, o que impactou diretamente na pena aplicada, considerada abaixo do esperado pela acusação.
Nesta quarta-feira (28), data que marca três anos da morte de Janaína, familiares, amigos e movimentos sociais se reúnem para lembrar que o caso ainda está aberto na ferida da família. O Movimento Olga Benário Piauí realiza ações de conversa e panfletagem no Parque da Cidadania, em Teresina, cobrando um novo julgamento.
Enquanto isso, Maria do Socorro segue fazendo o que pode, transformando a dor em clamor por justiça. “A gente quer uma resposta. Queremos justiça”.