O megaprojeto de hidrogênio verde da empresa Solatio no Piauí não foi abandonado, apesar do barulho provocado por decisões judiciais recentes. O que está em curso, segundo documentos e movimentações processuais, é uma tentativa da empresa de encerrar o processo atual para se adequar às exigências feitas pelo Ministério Público Federal e pela Justiça, especialmente na área ambiental e regulatória. Não há, até o momento, qualquer ato formal de desistência do investimento no estado.
A Solatio planeja instalar no litoral do Piauí, na região da ZPE de Parnaíba, um dos maiores projetos de produção de hidrogênio verde e amônia verde do mundo, voltado principalmente à exportação para a Europa, onde a demanda por energia limpa cresce rapidamente. O investimento previsto para a primeira fase gira em torno de R$ 27 bilhões, com potencial de expansão para cifras ainda maiores ao longo dos próximos anos, além da geração de milhares de empregos diretos e indiretos.
No processo analisado, a empresa argumenta que a ação judicial perdeu o objeto após a suspensão de licenças específicas, defendendo que o caminho agora é refazer etapas, corrigir pontos questionados e reapresentar o projeto dentro das exigências legais. Em outras palavras: a Solatio tenta “arrumar a casa” para seguir adiante, e não sair do Piauí.
O governador Rafael Fonteles tem sido um dos principais defensores do empreendimento. Em declarações recentes, ele afirmou que o hidrogênio verde é uma oportunidade histórica de transformação econômica, capaz de colocar o Piauí na vanguarda da transição energética global. Segundo Fonteles, o estado reúne sol, vento, área disponível e localização estratégica para se tornar um grande exportador de energia limpa, especialmente para o mercado europeu.
Apesar do otimismo do governo, o projeto ainda enfrenta desafios importantes. A Justiça determinou a suspensão de etapas do licenciamento até que sejam esclarecidos pontos como uso de recursos hídricos, impactos ambientais e integração ao sistema elétrico. Situações semelhantes, no entanto, já ocorreram em outros grandes empreendimentos no Brasil e costumam ser resolvidas com ajustes técnicos e novos estudos.
No cenário atual, o que existe é um impasse jurídico e ambiental, não um abandono. A disputa segue nos tribunais, enquanto o governo do estado mantém a articulação política e institucional para garantir segurança jurídica e atrair investimentos. Se destravado, o projeto da Solatio pode marcar uma virada histórica na economia piauiense, com energia limpa, indústria verde e exportação para o mundo.