Prefeito de Wall Ferraz volta à mira da CGU: rombo passa de R$ 2.1 milhões sob suspeita em contratos da educação através do Fundeb

Relatório aponta pagamentos da EJA inexistentes, gratificações sem comprovação de serviços, além de pagamentos sem execução de obras

Mais uma vez o prefeito de Wall Ferraz, Guilherme Maia (PSD), entra na mira da Controladoria-Geral da União (CGU) por fortes suspeitas de irregularidades graves envolvendo recursos do Fundeb. A auditoria aponta possibilidade de superfaturamento no valor de R$ 519.327,73, pagamentos sem comprovação de serviços, falhas em contratos de obras e despesas consideradas irregulares que ultrapassam R$ 2.1 milhões apenas em contratos. 

Os auditores identificaram problemas em reformas de escolas, construção de creche, pagamentos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), gratificações concedidas sem critérios objetivos e até serviços pagos sem comprovação formal de execução. Em vários trechos, a CGU afirma que faltavam mecanismos de controle, documentos técnicos e respaldo legal para parte das despesas realizadas pela gestão municipal.

  

Prefeito de Wall Ferraz Divulgação
   

O relatório também aponta fragilidade na fiscalização dos contratos e destaca que houve pagamentos feitos mesmo diante de serviços parcialmente executados ou sem comprovação adequada. Em alguns casos, os auditores falam em “superfaturamento por quantidade”, quando o município paga por itens ou serviços acima do que realmente foi executado.

Irregularidades, serviços sob suspeita e indícios de superfaturamento

Os auditores destacam que a ausência de critérios objetivos, controles de frequência e regulamentação legal fragiliza a fiscalização e abre margem para pagamentos indevidos, inclusive em relação a servidores que recebiam valores extras vinculados à EJA e a gratificações sem comprovação adequada das atividades desempenhadas.

Outro ponto considerado grave pela CGU foi a existência de pagamentos antecipados em contratos de obras, antes mesmo da execução dos serviços. Um dos casos citados envolve nota fiscal emitida apenas dois dias após assinatura contratual, sem tempo hábil para medição ou execução da obra. 

A auditoria também questiona a capacidade operacional de empresas contratadas pela Prefeitura, apontando situações em que construtoras responsáveis por obras milionárias possuíam número reduzido de funcionários registrados. 

Apesar das justificativas apresentadas pela gestão municipal, a CGU concluiu que grande parte das explicações não conseguiu afastar os indícios encontrados. O relatório aponta permanência de irregularidades, fragilidade nos controles internos e possível prejuízo aos cofres públicos.

Não é a primeira irregularidade na mira da CGU

O novo relatório se soma a um histórico recente preocupante. Em auditoria divulgada em julho do ano passado, a CGU já havia apontado um grave caso de má aplicação de recursos na reforma da Unidade Básica de Saúde (UBS) da localidade Várzea da Cruz, obra contratada por R$ 397.246, em contrato firmado entre a gestão de Guilherme Maia (PSD) e a empresa RC Empreendimentos Ltda. – EPP. Embora todos os pagamentos tenham sido efetuados e a empresa tenha declarado a conclusão da obra em julho de 2023, inspeção física realizada entre 24 e 28 de junho de 2024 mostrou que vários serviços não foram feitos ou estavam apenas parcialmente executados.

O resultado foi um superfaturamento de R$ 162.330,77, mais de 40% do valor total da obra. A CGU constatou que a Prefeitura pagou por serviços inexistentes ou medidos com quantidades muito acima da realidade, além de identificar falhas como projeto deficiente, termo de referência incompleto, fiscalização ineficiente e supressão de serviços previstos em paralelo ao aumento de itens não constantes do projeto original. Fotografias anexadas à auditoria expuseram a divergência entre o que constava no papel e o que se via na UBS, mesmo após o “recebimento definitivo” declarado pela prefeitura. Agora, com os achados em série sobre recursos da educação e contratos que somam mais de R$ 2,1 milhões sob suspeita, a imagem que se consolida é a de uma gestão repetidamente questionada pela CGU em áreas essenciais – saúde e educação – e cada vez mais cercada por órgãos de controle que passam a ter base técnica robusta para cobrar responsabilização.