Atualizado às 10h16
O delegado Charles Pessoa, do DRACO, conversou com a TV Antena 10 na manhã desta quarta-feira (1º) e deu mais detalhes a respeito da operação que prendeu "Novinho", suspeito de recrutar jovens para facção através das redes sociais e a companheira "Dora Aventureira", na Vila Afonso Gil, zona Sul de Teresina.
Durante entrevista, o delegado afirmou que o investigado possuía mandados de prisão por outros crimes e atuava na companhia de comparsas, incluindo a companheira de 23 anos. Na residência onde o casal foi capturado a polícia encontrou várias pichações na parede de um quarto que faziam alusão à símbolos das facção criminosa PCC.
"O detalhe é que no quarto desse indivíduo, de vulgo Novinho, ele praticou vários atos de pichações, fazendo referência à própria facção, trazendo ainda mais elementos, mais robustez para a investigação, não deixando sequer uma dúvida de que realmente ele integra a facção. Um detalhe é que além de integrar a facção criminosa, além de usar as redes sociais para influenciar, para aliciar outros jovens piauienses", disse o delegado.
Nova lei de facções
Segundo o delegado, Novinho, principal alvo da operação, pode ser o primeiro criminoso no Piauí a ser julgado dentro dos moldes da nova lei da facções e, com isso, pode receber condenação de até 40 anos de prisão.
"Se ele for julgado, esperamos que ele vá ser julgado, de acordo com a previsão da própria legislação, existe uma probabilidade de ele passar 40 anos preso. Então o jovem piauiense tem 20 anos. Se ele for julgado e pegar 40 anos e aplicar a nova lei, onde ele precisa de 80% a 85% para ter uma progressão de regime, ele vai sair do sistema penitenciário se sair com aproximadamente 40 anos de idade", detalhou.
Envolvimento com sequestro de motoristas por aplicativo
Ainda de acordo com o delegado, o criminoso junto com outros indivíduos, tem envolvimento com um núcleo que atua no sequestro de motoristas por aplicativo, torturando esses motoristas, realizando transações financeiras e realizando assaltos com os veículos roubados.
"Eles faziam uma solicitação de corrida a um motorista de aplicativo, e quando o motorista chegava, eles abordavam os motoristas, colocavam as vítimas dentro do porta-mala, faziam várias transações bancárias, inclusive praticavam outros assaltos com torturas psicológicas e torturas físicas", disse.
Dora Aventureira
Durante a ação policial, a companheira do investigado também foi presa. Conhecida como "Dora Aventureira", ela e outros membros de facções criminosas estão utilizando codinomes infantis no intuito de chamar atenção das crianças e jovens do país.
Papagaio de alerta e sistema de monitoramento
TV Antena 10
O investigado ainda tinha um "sistema de monitoramento" em casa. Ele utilizava câmeras de segurança e um papagaio que o alertava quando membros de outros grupo criminosos e, principalmente, policiais, aproximavam-se da residência. "Essa câmera era usada com o intuito de monitorar tanto membros de facções rivais, mas principalmente a uma eventual ação da polícia", finalizou.