Neto Maciel, marido do jornalista Erlan Bastos, que faleceu aos 32 anos no último sábado (17), em Teresina, no Piauí, falou pela 1ª vez sobre a descoberta da doença que levou à morte do comunicador e sobre a suspeita inicial de câncer. Erlan estava internado no Hospital Natan Portella, e a causa do óbito foi tuberculose peritoneal, uma manifestação rara da doença.
Em um relato emocionado, Neto, que estava com Erlan há 15 anos, agradeceu as mensagens de apoio recebidas e afirmou que decidiu se pronunciar para esclarecer informações que, segundo ele, foram divulgadas de forma equivocada nas redes sociais. Ele também destacou que a história serve de alerta para a importância dos cuidados com a saúde.
“Primeiro quero agradecer todo mundo, agradecer o apoio dos fãs, admiradores e amigos do Erlan. Agradecer as milhares de mensagens que recebi. Quero esclarecer algumas mentiras, informações equivocadas na internet, e deixar claro que essa história serve como um alerta para as pessoas cuidarem mais da saúde delas. Durante essa trajetória de internação, alguns médicos deixaram claro que o caso do Erlan não era de agora, fazia um tempo. Muito provavelmente ele sentia alguma coisa, mas não falava”, disse Neto Maciel.
Ao longo do depoimento, Neto também reconheceu que Erlan não tinha o hábito de cuidar da própria saúde, mas ressaltou que houve falhas graves no atendimento médico recebido, tanto na rede pública quanto na privada. Ele contou que os primeiros sintomas surgiram durante uma viagem a Macapá, no início de dezembro. O jornalista, inclusive, chegou a falar sobre o seu problema de saúde quando voltou a comandar jornal na afiliada à Band no Amapá.
Relembre abaixo:
“O Erlan não cuidava bem da saúde, isso é fato, mas também houve negligências do sistema de saúde. Fomos para Macapá no começo de dezembro e lá, para o dia 15 ou 16, começou tudo: os alertas que levaram a gente a procurar ajuda nos hospitais. Em muitas dessas vezes, os médicos receitavam apenas Buscopan e mandavam voltar pra casa. Aí entra a negligência do sistema de saúde. Fomos em hospitais particulares lá. Em Teresina, fomos no São Marcos, que é referência. Em Macapá, saímos com suspeita de câncer. Viemos para Teresina para tentar um atendimento melhor”, disse Neto Maciel.
Por fim, Neto detalhou os últimos dias de internação de Erlan e explicou como os médicos chegaram ao diagnóstico de tuberculose. Segundo ele, apesar de uma melhora inicial, o quadro clínico se agravou rapidamente, culminando na morte do jornalista.
“Depois fomos para o Natan Portella e lá uma médica suspeitou de tuberculose. Foram feitos exames, ele estava reagindo bem, se alimentando bem, mas na sexta-feira tudo desandou. Ele estava com derrame pleural, tinha muita água no pulmão dele, então eles tinham que fazer uma drenagem. Ele ainda estava relutante, mas acabou aceitando. Voltei para casa porque no CTI não é permitido acompanhante e, por volta das 2h, me ligaram para autorizar que ele fosse entubado. Liguei para a mãe dele e ela aceitou. Depois de umas duas horas, me ligaram novamente para comunicar a fatalidade”, finalizou Neto Maciel.
Erlan Bastos, considerado uma das revelações do jornalismo brasileiro, trabalhou em duas emissoras do Piauí: Meio Norte e O Dia TV, afiliada à Rede TV! Depois disso, se mudou para outro estado e, até então, apresentava um telejornal na hora do almoço na afiliada à Band no Amapá.
Natural de Manaus (AM), Erlan construiu uma trajetória marcada pela superação e ganhou projeção nacional ao se destacar no jornalismo de entretenimento e de bastidores. Chegou a trabalhar também na afiliada à RECORD no Ceará. O jornalista, segundo imprensa do Amapá, já vinha relatando mal-estar a pessoas próximas e colegas de trabalho.