O ex-policial militar Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado a mais de 90 anos de prisão por envolvimento na morte de uma criança e na tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas em Teresina. A decisão foi proferida pelo Tribunal Popular do Júri após sessão que durou mais de 24 horas. Um outro policial também foi condenado por interferir na cena do crime.
O julgamento analisou crimes ocorridos na noite de 25 de dezembro de 2017, na Avenida João XXIII. De acordo com o Ministério Público do Piauí, os réus teriam atuado durante uma abordagem policial que terminou com disparos contra cinco pessoas: Emilly Caetano Costa, de 9 anos à época, que não resistiu aos ferimentos; Evandro da Silva Costa; Daiane Félix Caetano; Evellyn Caetano Costa; e Emanuelly Caetano Costa. Evandro Costa, pai de Emilly, ficou surdo em decorrência do disparo.
O ex-PM Aldo Luís Barbosa Dornel foi condenado por homicídio qualificado consumado contra Emilly Caetano Costa, além de quatro tentativas de homicídio qualificado contra outras vítimas. Ele também foi responsabilizado por fraude processual. Ao final do julgamento, a pena fixada foi de 97 anos de reclusão, além de 2 anos e 8 meses de detenção.
Já o ex-policial militar Francisco Venício Alves foi condenado por fraude processual, devido à alteração do local do crime antes da chegada da perícia. Ele recebeu pena de 2 anos e 3 meses de detenção, além de 180 dias-multa. A sessão foi conduzida pelo juiz Ronaldo Paiva Nunes Marreiros, da 1ª Vara do Tribunal do Júri. Após a leitura da sentença, foi determinada a prisão imediata de um dos condenados em plenário, além da perda do cargo público.
“Notícia inesperada… não esperava isso. O cara que matou minha família, destruiu minha família, está de novo aos quadros da Polícia Militar. Que vergonha! O cara foi reprovado em todos os requisitos, atirou no meu carro, matou minha filha de 9 anos. Peguei um tiro e estou surdo do ouvido [por ter sido atingido por disparo] e perdi 30% da minha memória”, descreveu o pai na ocasião.