A Justiça do Piauí rejeitou o pedido da defesa da vereadora Tatiana Medeiros para a retirada da tornozeleira eletrônica. Os advogados argumentaram que houve agravamento no quadro de saúde mental da parlamentar, que atualmente cumpre prisão domiciliar preventiva.
De acordo com decisão obtida pelo A10+, apesar da apresentação de laudos médicos particulares, a perícia oficial não recomendou a remoção do equipamento de monitoramento. O parecer técnico indicou apenas a necessidade de acompanhamento contínuo com psiquiatra e psicólogo, além da elaboração de relatórios periódicos sobre a evolução do estado psicológico da paciente.
"No caso, portanto, não restou demonstrada a completa inadequação do monitoramento eletrônico com a situação de saúde da ré", diz trecho da decisão.
Conforme o documento, a revogação da medida também foi considerada inadequada após a identificação de uma grave irregularidade durante o período em que a ré esteve na Clínica Restaurar, atual local onde cumpre prisão domiciliar. Segundo os autos, o coordenador-geral da unidade autorizou que a parlamentar deixasse o local por três dias sem qualquer autorização judicial.
"Esse ocorrido demonstra que o monitoramento se faz necessário e adequado, mesmo enquanto durar o tratamento, pois sem ele não seria possível identificar essa falha na saída da ré e, consequentemente, supervisionar o cumprimento da prisão domiciliar e das condições impostas", detalha.
Por fim, a Justiça determinou que a clínica não autorize a saída da ré do estabelecimento sem prévia autorização judicial. A decisão também estabelece a adoção de um protocolo rigoroso de supervisão durante o período de carregamento da tornozeleira eletrônica, incluindo o recolhimento imediato do cabo do carregador e de quaisquer objetos que possam representar risco à integridade física da parlamentar após o uso.
Condenada a 19 anos de cadeia
A Justiça Eleitoral condenou Tatiana Medeiros a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato (desvio), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. Medeiros também perdeu o mandato como vereadora.
A sentença também determina a perda do cargo, a inelegibilidade para funções públicas e o pagamento solidário de R$ 1 milhão como reparação pelos prejuízos causados à sociedade. A defesa de Medeiros afirmou que a sentença é "absolutamente injusta" e que vai recorrer. Além de Tatiana, outras sete pessoas também foram condenadas, entre elas, o namorado faccionado.
Abaixo, confira como foi distribuída a sentença dos crimes cometidos por Tatiana Medeiros:
- Organização criminosa: 07 (sete) anos e 06 (seis)meses e 21 (vinte e um) dias de reclusão e 25 (vinte e cinco) dias-multa;
- Corrupção eleitoral: 2 (dois) anos e 07(sete) meses e21 (vinte e um) dias de reclusão e 300 (trezentos) dias-multa;
- Peculato-desvio: 03 (três) anos e 10(dez) meses e 20 (vinte)dias de reclusão e 144 (vinte) dias-multa;
- Falsidade ideológica: 01 (um) ano de reclusão e 05(cinco) dias-multa;
- Lavagem de dinheiro: 04 (quatro) anos e 09 (nove)meses e 05 (cinco) dias de reclusão e 18 (dezoito) dias-multa.
Medeiros vai cumprir a pena em regime fechado na Penitenciária Feminina Gardênia Gomes Lima Amorim, em Teresina.
De fundadora de ONG à prisão pela PF: saiba quem é Tatiana Medeiros, vereadora envolvida com facção criminosa em Teresina
A vereadora Tatiana Medeiros (PSB) foi presa em 3 de abril de 2025 em sua residência durante a Operação Escudo Eleitoral, deflagrada pela Polícia Federal. Ela é advogada e levantou, durante sua campanha, a importância da Educação, Ativismo Social e religiosidade, principalmente, por meio do seu instituto "Vamos Juntos", localizado na Avenida Boa Esperança, zona Norte da capital, que atende famílias em vulnerabilidade social. Nas redes sociais, ela compartilha a rotina de ações e projetos em comunidades. Candidata pelo PSB, ela obteve 2.925 votos na capital piauiense.
Investigada pela Polícia Federal por vínculo com facção criminosa violenta com grande atuação no estado, há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos da instituição não governamental.