MP aciona Justiça para garantir que Estado do Piauí amplie oferta no sistema prisional, que enfrenta superlotação

Ação cobra plano de expansão das unidades prisionais, diagnóstico atualizado e medidas para garantir funcionamento da Central de Regulação de Vagas

O Ministério Público do Piauí (MPPI) ajuizou uma Ação Civil Pública (ACP) Estrutural com pedido de tutela de urgência contra o Estado do Piauí e a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus). A medida busca obrigar o poder público a adotar ações concretas para enfrentar o déficit de vagas e a superlotação do sistema prisional estadual.

A ação tem como principal objetivo assegurar as condições estruturais necessárias para a implantação da Central de Regulação de Vagas (CRV) de Teresina, ferramenta prevista no Plano Pena Justa. O sistema foi concebido para compatibilizar o número de pessoas privadas de liberdade com a capacidade efetiva das unidades prisionais, promovendo uma gestão mais eficiente da ocupação dos presídios.

 

MPPI aciona Justiça para garantir que Estado do Piauí amplie oferta no sistema prisional, que enfrenta superlotação
Divulgação

   

Segundo o Ministério Público, embora a criação da Central de Regulação de Vagas represente um avanço na administração do sistema penitenciário, a medida só poderá alcançar os resultados esperados se houver investimentos na infraestrutura das unidades prisionais.

De acordo com a ACP, a ausência de ampliação e de planejamento da capacidade instalada pode comprometer tanto a execução das políticas de segurança pública quanto o funcionamento da futura Central de Regulação de Vagas, gerando impactos em todo o sistema penitenciário do Estado.

Na ação, o MPPI solicita que o Estado apresente um diagnóstico técnico atualizado da situação do sistema prisional, além de um planejamento de curto, médio e longo prazo para enfrentar o problema. O órgão também pede a apresentação de um cronograma de investimentos e de medidas voltadas à ampliação e adequação da rede penitenciária estadual.

O Ministério Público destaca que dados oficiais apontam que o sistema prisional do Piauí convive, há anos, com um déficit expressivo de vagas e elevados índices de ocupação, cenário que exige soluções estruturais e planejamento permanente.

Ainda conforme o órgão, enfrentar esse problema é essencial para garantir o funcionamento adequado da Central de Regulação de Vagas e permitir uma gestão prisional mais eficiente, racional e alinhada aos parâmetros legais e constitucionais.

Entre os principais pedidos apresentados à Justiça estão a elaboração de um plano emergencial de contingência, a realização de um diagnóstico técnico atualizado do sistema penitenciário e a construção de um Plano Estrutural de Ampliação e Adequação do Sistema Prisional do Estado. A ação também prevê a criação de mecanismos permanentes de monitoramento e fiscalização das medidas adotadas.

Para o MPPI, a expansão planejada da infraestrutura prisional é indispensável para que a política de regulação de vagas cumpra seus objetivos, proporcionando maior eficiência administrativa, previsibilidade na gestão penitenciária e respeito às diretrizes estabelecidas para a execução penal no Brasil.