MP apura condições de funcionamento do Hospital Areolino de Abreu após morte de paciente em Teresina

Procedimento tem o objetivo de verificar se a estrutura e os protocolos adotados pela unidade garantem a integridade física de pacientes e servidores

O Ministério Público do Piauí (MPPI), por meio da 12ª Promotoria de Justiça de Teresina, instaurou um procedimento para apurar as condições de funcionamento do Hospital Areolino de Abreu, na zona Norte da capital, após a morte de Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, que foi encontrado amarrado dentro de uma sala em chamas nas dependências do hospital no dia 26 de fevereiro. 

O caso motivou a abertura do Procedimento Preparatório nº 06/2026, instaurado pela promotora de Justiça Débora Geane Aguiar Aragão, com o objetivo de verificar se a estrutura e os protocolos adotados pela unidade garantem a integridade física de pacientes e servidores.

  

Hospital Areolino de Abreu, em Teresina
Divulgação
   

No dia seguinte à morte, o Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) realizou uma vistoria no hospital e apontou a necessidade de apuração do ocorrido, além da avaliação de possíveis riscos institucionais. A promotora responsável pelo caso também esteve na unidade no dia 27 de fevereiro para acompanhar a situação.

No dia 3 de março, foi realizada uma audiência extrajudicial no próprio hospital, com a participação da diretoria-geral e da diretoria administrativa da unidade. Durante a reunião, foram colhidas informações sobre o caso e sobre a estrutura do hospital. Na ocasião, a direção informou que o hospital funciona em regime de porta aberta, possui 160 leitos de internação e mantém também leitos destinados à observação de urgência. Segundo os gestores, o paciente já havia recebido alta médica e aguardava a chegada da família quando teria sido agredido por outros pacientes durante a madrugada.

Após a audiência, a 12ª Promotoria requisitou ao hospital documentos encaminhados à Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) relacionados à necessidade de novos servidores. Também foi solicitada a lista nominal de médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, incluindo profissionais afastados ou cedidos.

  

Após morte violenta, CRM-PI constata falta de segurança e estrutura precária no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina
Divulgação
   

A direção do hospital se comprometeu a encaminhar um relatório detalhado sobre o déficit de pessoal, especialmente de técnicos de enfermagem e profissionais de serviços gerais.

Ainda no dia 3 de março, o MPPI enviou ofícios ao Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) e ao Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) solicitando apoio técnico, além da realização de inspeção e subsídios para a elaboração ou atualização de protocolos de gerenciamento de risco e de crise na unidade.


No dia 4 de março, o Ministério Público também encaminhou um novo ofício ao hospital solicitando o cumprimento das providências definidas na audiência. Na mesma data, foi expedida a Recomendação Administrativa nº 04/2026, direcionada à Sesapi, à direção-geral e ao diretor técnico do hospital, orientando a elaboração e implementação de um Procedimento Operacional Padrão (POP) específico para gerenciamento de risco e crises psiquiátricas.

  

Pedro Araújo da Silva, de 29 anos
Reprodução
   

Uma nova audiência extrajudicial foi marcada para o dia 16 de março, quando os responsáveis deverão apresentar as medidas adotadas em resposta às recomendações do Ministério Público. Segundo a promotora Débora Geane Aguiar Aragão, o MPPI segue acompanhando o caso e adotando as medidas necessárias para garantir mais segurança e melhores condições de atendimento aos pacientes e profissionais do Hospital Areolino de Abreu.

Mãe revela que filho já havia sido espancado no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina: "Ele era quase uma criança. Espero justiça"

"Ele era quase uma criança. Eu espero justiça". A declaração é de Maria da Cruz, mãe do paciente Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, encontrado morto dentro do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina.

Em forte relato à TV Antena 10 e A10+, na manhã desta sexta-feira (27), a mulher afirmou que o filho já havia sido espancado na unidade de saúde, há poucos dias, e que ele estaria em uma ala onde havia pessoas homicidas.

 

Mãe revela que filho já havia sido espancado no Hospital Areolino de Abreu, em Teresina: "Ele era quase uma criança. Espero justiça"
Chico Filho/ A10+/TV Antena 10
 

"Ele estava bonzinho, ele veio só para um tratamento mental, ele não estava todo doente. Meu filho estava todo mordido, um 'doido' lá mordeu ele todinho, até aqui na cabeça, deu muita porrada nele. Ele tinha o pé quebrado, magoou o pé dele, e quebrou um osso do nariz. Eu fui lá, rapidamente, levei para o HUT para fazer todos os exames. Elas disseram que era para voltar, deixei ele lá em um quarto separado,  pois quando eu cheguei agora, eles já tinham botado meu filho nesse setor lá, o Mariano Castelo Branco, onde tem um bocado de homicida perigoso", descreveu.

Maria da Cruz afirmou que sempre se dedicou a cuidados especiais para com o filho. No entanto, o levava para a internação quando ele acabava tendo comportamentos agressivos por causa da condição mental.

"Ele completaria 15 dias agora [internado], era pra eu ter ido buscar nesses dois dias, mas eu estava sem internet, não vi, não fui pegar. E agora, quando eu chego de novo, que elas mandam me chamar, meu filho está assassinado. Estava todo queimado, o corpo chega estava preto. Até na hora que a gente estava velando, não podia abrir o caixão. Ele já vem sendo internado desde 2014, mas ele saía bem e lá não tinha agressão nenhuma. Ultimamente, ele não estava agressivo, mas ele chamava os vizinhos, incomodava, ficava sem dormir. Eu estava esperando tanto a hora de levar meu filho para casa, mas não foi possível", disse.