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"Ele era quase uma criança. Eu espero justiça". A declaração é de Maria da Cruz, mãe do paciente Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, encontrado morto dentro do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina.
Em forte relato à TV Antena 10 e A10+, na manhã desta sexta-feira (27), a mulher afirmou que o filho já havia sido espancado na unidade de saúde, há poucos dias, e que ele estaria em uma ala onde havia pessoas homicidas.

Chico Filho/ A10+/TV Antena 10
"Ele estava bonzinho, ele veio só para um tratamento mental, ele não estava todo doente. Meu filho estava todo mordido, um 'doido' lá mordeu ele todinho, até aqui na cabeça, deu muita porrada nele. Ele tinha o pé quebrado, magoou o pé dele, e quebrou um osso do nariz. Eu fui lá, rapidamente, levei para o HUT para fazer todos os exames. Elas disseram que era para voltar, deixei ele lá em um quarto separado, pois quando eu cheguei agora, eles já tinham botado meu filho nesse setor lá, o Mariano Castelo Branco, onde tem um bocado de homicida perigoso", descreveu.
Maria da Cruz afirmou que sempre se dedicou a cuidados especiais para com o filho. No entanto, o levava para a internação quando ele acabava tendo comportamentos agressivos por causa da condição mental.
"Ele completaria 15 dias agora [internado], era pra eu ter ido buscar nesses dois dias, mas eu estava sem internet, não vi, não fui pegar. E agora, quando eu chego de novo, que elas mandam me chamar, meu filho está assassinado. Estava todo queimado, o corpo chega estava preto. Até na hora que a gente estava velando, não podia abrir o caixão. Ele já vem sendo internado desde 2014, mas ele saía bem e lá não tinha agressão nenhuma. Ultimamente, ele não estava agressivo, mas ele chamava os vizinhos, incomodava, ficava sem dormir. Eu estava esperando tanto a hora de levar meu filho para casa, mas não foi possível", disse.
A mãe detalhou a dor da saudade pela ausência do filho, que foi velado e sepultado no interior do Maranhão. "A minha casa está muito triste sem meu filho, ele era tudo lá para mim. Ele era quase uma criança. Se desse comida para ele, ele comia. Se não desse, ele ficava pedindo até dar. Com o cuidado maior do mundo, eu não deixava ele sair sozinho de jeito nenhum. Eu espero justiça porque o hospital não arcou com nada, e eu não tenho condição. Tomei dinheiro emprestado para arcar com as despesas", relatou.
Suspeitos autuados por homicídio qualificado
A Polícia Civil do Piauí autuou por homicídio qualificado dois suspeitos da morte do paciente Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, dentro do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina.
O delegado Genival Vilela informou que os dois foram conduzidos para a sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas não apresentaram condições para prestarem depoimentos. Eles foram encaminhados para a Central de Flagrantes, onde foram recolhidos em um local separado de outros presos. Um deles teria o diagnóstico de transtorno bipolar e o outro de esquizofrenia.

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"Um dos envolvidos, desde o primeiro momento, falou que matou e matava mesmo, repetiu isso várias vezes. Eu tentei fazer uma inquirição formal dos dois, mas não foi possível. Eles não tinham uma conversa concatenada, então terminou fazendo uma certidão dizendo que não havia condições pelo menos naquele momento deles serem inquiridos. Então, após a lavratura do procedimento, ambos foram encaminhados à Central de Flagrantes, ficaram separados dos demais presos. Hoje eles passam por uma audiência de custódia. O juiz é quem vai decidir para onde eles irão: se retornarão para o hospital, dessa vez com a medida de segurança imposta a eles ou algum outro estabelecimento adequado", afirmou.
Sobre a motivação, o delegado ressaltou que não foi possível obter informações até o momento. "Nós tentamos conversar para tentar saber a motivação, só que ele simplesmente falava que matou e matava mesmo. Ele disse que colocou as mãos no pescoço, um deles, o que realmente confessou, mas infelizmente a conversa não conseguiu fluir, ele não conseguia concatenar as ideias corretamente. Nosso trabalho como polícia, primeiramente, é apurar como se deu essa ocorrência da morte. Vamos verificar todos os pormenores, onde os presos estavam, se eles estavam no local correto, quem estava com eles ou deveria estar com eles, como eles conseguiram o material", concluiu.
Após assassinato, CRM-PI constata falta de segurança e estrutura precária no Hospital Areolino de Abreu
Representantes do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) estiveram, na manhã desta quinta-feira (26), nas dependências do Hospital Areolino de Abreu, em Teresina, e constataram pouca segurança e péssimas condições estruturais na unidade. A vistoria ocorreu após uma grave situação de violência registrada durante a madrugada, que resultou na morte de um paciente internado. O hospital está localizado no bairro Marquês, na zona Norte da capital. O caso de violência aconteceu em uma ala de enfermaria e não envolveu pacientes oriundos do sistema prisional.
De acordo com o presidente do Conselho, Dr. João Moura Fé, as obras de reforma do hospital estão paradas, com apenas 25% de execução. Além disso, a unidade não conta com segurança armada, dispondo apenas de segurança patrimonial e agentes auxiliares.

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“Vamos notificar a Secretarial de Saúde do Estado e solicitar providências, para que haja mais segurança para os médicos, demais profissionais de saúde e para os pacientes”, afirmou.
O CRM-PI também verificou que não há enfermeiro durante o turno da noite e que o número de médicos é insuficiente para garantir assistência e prescrição adequadas aos pacientes internados.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) recomendou a extinção dos manicômios psiquiátricos no Brasil, dentro da política antimanicomial adotada pelo Governo Federal. A medida prevê a transferência de pessoas que cumprem medidas de segurança determinadas pela Justiça para hospitais psiquiátricos. No entanto, segundo entidades médicas, muitas dessas unidades não possuem estrutura física adequada nem pessoal treinado para atender pacientes nessas condições, o que tem gerado preocupação entre profissionais da área e instituições médicas.
Um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte do paciente e esclarecer responsabilidades.
Fonte: Portal A10+