O delegado Humberto Mácola, em entrevista à TV Antena 10, deu detalhes da atuação do grupo criminoso que praticava extorsão para não divulgar imagens íntimas na internet. Na operação Cativeiro Digital, deflagrada na manhã desta quinta-feira (03), foram presos membros da mesma família, mas a polícia segue em diligências para capturar o principal alvo: Gustavo Manoel Silva da Conceição.
Segundo o delegado, o indivíduo teria feito vítimas em todo o país e usava a conta com chave Pix em nome da própria avó para concretizar o crime. A idosa chegou a ser conduzida, mas foi esclarecido que ela teria sido usada pelo neto.
“Ele estava em Açailândia, no Maranhão, e de lá ele abordava pessoas do Brasil inteiro. A avó foi colocada em liberdade, ela era usada, não sabia nem o que era Instagram, uma pessoa humilde, que vende geladinho, estava sofrendo prejuízo porque não tinha Pix. Ela pediu para o neto, que criou uma conta no nome da própria avó, e usou a conta para receber os valores indevidos, e concretizar a conduta criminosa”, disse o delegado.
O caso chegou à polícia após uma das vítimas fazer transferências volumosas de dinheiro ao grupo criminoso. “Ele foi abordado pelo perfil falso, estabeleceu um relacionamento, momento em que foi compartilhado imagens íntimas, o criminoso começou a fazer uma verdadeira prisão psicológica, que a pessoa não consegue sair. A vítima é aterrorizada, chantageada, e nesse caso teve o prejuízo e procurou a polícia”, disse o delegado.
Até o momento, três pessoas continuam presas, seriam elas: a esposa, a irmã e um primo de Gustavo. “O nosso principal alvo está com mandado de prisão em aberto e é foragido da Polícia Civil do Maranhão”, disse o delegado.
O delegado Humberto Mácola alertou sobre o compartilhamento de imagens na internet. “Nunca compartilhe qualquer tipo de imagem íntima mesmo para pessoas que você conheça, porque você não tem mais o domínio a partir do momento que compartilha aquele material digital”, disse.
Operação
De acordo com o delegado Humberto Mácola, o grupo usava perfis falsos em redes sociais para atrair suas vítimas. Eles chegaram a exigir pagamentos que somados atingiram o valor de R$ 80 mil. “Após estabelecer contato, os suspeitos obtinham imagens íntimas das vítimas e, em seguida, exigiam pagamentos que somaram cerca de R$ 80.000,00. Para dar maior verossimilhança às abordagens, os perfis dos envolvidos continham imagens de mulheres retiradas de perfis de personalidades de outros estados do país”, explicou.
Prints de conversas divulgados pela polícia mostram a forma como eles agiam. Em uma das mensagens, um dos envolvidos aparece exigindo a quantia de R$ 1 mil de uma das vítimas.
No total, foram cumpridos cinco mandados de prisão e sete mandados de busca e apreensão. A Polícia Civil destaca que a prática de extorsão cibernética, tipificada no artigo 158 do Código Penal Brasileiro, tem se tornado cada vez mais comum e faz-se necessário uma vigilância constante da sociedade. "As investigações continuam em andamento, e a Polícia Civil trabalha para identificar outros envolvidos na prática criminosa", concluiu.