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*Por Ana Júlia, estagiária sob supervisão de Marcelo Gomes
O A10Cast deste sábado (17) recebe o delegado Eduardo Aquino, da 3ª Seccional da Polícia Civil, para falar sobre sua trajetória profissional, o combate à criminalidade no Piauí e o projeto de palestras em escolas sobre a realidade do mundo do crime.
Durante a entrevista à TV Antena 10, o delegado relembra sua chegada ao Piauí, em 2009, quando veio de Fortaleza (CE) com o objetivo de prestar concurso para a Polícia Civil. Eduardo Aquino conta que, desde o início, sentiu-se acolhido pelo povo piauiense.
“Amo o Piauí, hoje é realmente o meu lugar de coração. Muita gente até pergunta se eu queria voltar para Fortaleza. Eu disse: ‘De jeito nenhum!’ Gosto muito daqui, amo esse estado, amo Teresina, amo Parnaíba”, afirma Eduardo.
Ao recordar o início da carreira na Polícia Civil, o delegado conta que atuou em praticamente todas as especialidades da instituição. Ele também destaca a experiência adquirida no interior do estado, onde trabalhou no começo da trajetória profissional.
Segundo Eduardo Aquino, cada região do Piauí apresenta características específicas relacionadas à criminalidade, o que contribuiu para ampliar sua experiência na área da segurança pública.
Atualmente, o delegado está lotado na Terceira Seccional, localizada na região do bairro Santa Maria da Codipi, na zona Norte de Teresina.
Combate à criminalidade e atuação de facções entre jovens
Durante a entrevista ao A10Cast, Eduardo Aquino analisa o cenário da criminalidade no Piauí e o número de jovens que ingressam em facções criminosas. Segundo ele, trata-se de um problema que também ocorre em outras partes do país. O delegado explica que essas organizações utilizam uma imagem de poder, dinheiro e status para atrair adolescentes.
“Ela se usa como vitrine. Isso é o reflexo do que está nessa cultura que a gente vê principalmente nas redes sociais, que é a cultura de poder, de dinheiro, aquelas promessas de que o tráfico e a organização vão lhe dar poder, vão lhe dar dinheiro, vão lhe dar status”, explica o delegado.

Além disso, Eduardo destaca que a vulnerabilidade social de muitos jovens pode facilitar o aliciamento por organizações criminosas, especialmente em regiões periféricas.
“E aí você coloca um jovem, você pega um jovem periférico, que nunca teve oportunidade, na grande maioria das vezes não tem pai, ou não tem mãe, ou não tem os dois, foi criado, está criado num meio social de extrema violência, de extrema vulnerabilidade”, aponta.
O delegado também relembra o caso de um adolescente de 16 anos apreendido com mais de 20 anotações criminais. Para Eduardo Aquino, a impunidade é um dos fatores que contribuem para a reincidência e a permanência de jovens no mundo do crime.

“Empiricamente, dezenas e dezenas de vezes, que é o maior fator de reincidência neste país, é a impunidade. Por quê? O cara mata, vamos botar o crime mais grave que possa existir, que é um homicídio qualificado, um estupro, um latrocínio. Pouco tempo depois, ele está na rua, muitos desses indivíduos, depois demoram dez, vinte anos para ser julgado. Isso é uma forma de impunidade.”
Políticas públicas no combate à criminalidade
Eduardo Aquino também reforça a importância de políticas públicas voltadas às necessidades dos jovens, com acesso a direitos básicos, como educação, esporte e lazer. Segundo ele, essas iniciativas podem oferecer alternativas ao contexto de vulnerabilidade social e à influência de grupos criminosos.

“Então, tem que disponibilizar esporte, lazer e escola. Dar um pertencimento bom para esse jovem. Para ele se sentir, para ele pertencer a um time de futebol, a um grupo escolar. E ele saber que, através daquilo ali, ele vai conseguir ser alguém. Um advogado, um professor, um delegado, um juiz, um promotor”, afirma o delegado.
Fonte: Portal A10+