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O município de Baixa Grande do Ribeiro, localizado na região Sul do Piauí, vem se consolidando como um dos principais destaques da cotonicultura no estado. A produção de algodão cresce de forma acelerada, transformando a paisagem e fortalecendo a economia local, sustentada por três pilares fundamentais: tecnologia, estratégia e planejamento. A safra de algodão no Brasil fica entre as maiores da história. As estimativas apontam uma produção de aproximadamente 9,9 milhões de toneladas em 2025, volume superior ao de 2024, mantendo o país entre os maiores produtores mundiais.
Segundo o presidente da APIPA (Associação Piauiense dos Produtores de Algodão), Amilton Bortolozzo, a chegada de novos produtores à região tem ampliado as áreas cultivadas, movimentado a economia e gerado empregos. Ele destaca que a produção de algodão no Piauí já integra o mercado global, em constante crescimento, e que a cultura se consolida após os ciclos da soja e do milho, fortalecendo o sistema produtivo regional. A produção irrigada tem papel estratégico nesse avanço. Com o controle artificial da água, o algodão piauiense alcança elevados padrões de qualidade, o que impulsiona as exportações, especialmente para o mercado asiático. Essa tecnologia garante estabilidade produtiva e posiciona o estado entre os destaques nacionais do setor.

Para o produtor Júnior Bortolozzo, um dos investidores na cultura, um dos diferenciais do Piauí é o clima favorável, que reduz os impactos das chuvas no período de colheita, fator decisivo para a qualidade da fibra. O algodão se desenvolve melhor em clima quente, com temperaturas entre 25°C e 32°C, boa luminosidade e chuvas bem distribuídas no início do ciclo, além de solos profundos, férteis, bem drenados e com pH entre 5,5 e 6,5. O manejo técnico, com correção do solo, uso de sementes certificadas e controle de pragas, completa o conjunto de fatores que garantem produtividade e qualidade. Júnior também ressalta que a alta incidência solar no Nordeste contribui diretamente para a excelência da fibra piauiense, altamente valorizada no mercado externo, consolidando o Brasil como referência mundial em qualidade.
O plantio ocorre, em geral, entre novembro e janeiro, com colheita entre maio e agosto, em um ciclo médio de 6 a 8 meses, variando conforme clima, solo e tecnologia empregada. Para o agrônomo Leandro Balz, o produtor piauiense leva para a cotonicultura a tradição de investir no solo e a experiência adquirida na soja, adaptando tecnologias para enfrentar estresses climáticos e manter estabilidade produtiva. Esse conjunto de estratégias já coloca o Sul do Piauí em evidência não apenas no estado, mas também no cenário nacional.

Já Gregory Sanders, presidente da Copy Cotton, uma das principais empresas do setor no estado, destaca o potencial estratégico do Piauí e lembra que a atuação da empresa na região remonta aos anos 2000, com a consolidação do algodão na Bahia. Ele ainda reforça que a localização geográfica do estado favorece a logística e a integração com o parque da indústria têxtil nacional. Baixa Grande do Ribeiro, segundo dados do IBGE, já se destaca como referência no agronegócio piauiense e lidera a produção agrícola estadual.
Atualmente, o algodão representa cerca de 40% da produção estadual, segundo a associação de produtores. A expectativa do setor é que, em breve, o Piauí se torne o terceiro maior produtor de algodão do Brasil, atrás apenas de Mato Grosso e Bahia, consolidando o estado como uma nova potência da cotonicultura nacional.
Fonte: Portal A10+