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Delegado detalha caso de faccionado preso novamente no Piauí e diz que investigado alegou ter sido obrigado a torturar vítimas

Polícia afirma que criminoso era responsável por guardar drogas e aplicar punições a mando da facção e tinha ligação com líder do grupo preso


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O delegado Ayslan Magalhães deu mais detalhes à TV Antena 10 sobre a prisão de Vicente Gomes Vieira da Silva, alvo de uma operação da Polícia Civil realizada nesta quinta-feira (30), no bairro João XXIII, em Parnaíba, no litoral do Piauí. A residência do suspeito foi um dos alvos da ação deflagrada no dia 16 de julho deste ano, quando os policiais encontraram uma grande quantidade de entorpecentes. Vicente, no entanto, não estava em casa durante o cumprimento dos mandados e foi localizado cerca de duas horas após a operação. Apesar da prisão em flagrante, a Justiça entendeu, naquele momento, que a detenção era ilegal e determinou a soltura do investigado.


Diante da decisão, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva do suspeito. O pedido foi aceito pela Justiça e o mandado foi cumprido nesta quinta-feira (30). O delegado criticou a decisão judicial que resultou na liberdade do investigado. Segundo ele, mesmo diante da quantidade de drogas apreendidas e das investigações que apontavam Vicente como integrante da facção criminosa, a prisão preventiva poderia ter sido decretada ainda durante a audiência de custódia.

  

Delegado detalha caso de faccionado preso novamente por tráfico e diz que investigado alegou ter sido obrigado a torturar vítimas
Reprodução

   

"A autoridade judiciária do plantão não entendeu que era caso de flagrante, apesar de a gente ter encontrado uma grande quantidade de droga na casa do Vicente. Mas ele não estava no momento da prisão, foi encontrado duas horas depois. Foi representado, ainda dentro do flagrante, pela prisão preventiva e o juiz considerou o flagrante ilegal, mas poderia ter convertido essa prisão em flagrante em prisão preventiva. A própria lei dá, sim, essa autonomia para o juiz, mas ele não fez. Apesar da gravidade dos fatos e de ele ser apontado como disciplina da facção lá no João XXIII, ele foi posto em liberdade, causando um certo incômodo, um sentimento de injustiça para a população aqui de Parnaíba", disse o delegado Ayslan Magalhães.

Na segunda fase da investigação, os policiais voltaram ao bairro para cumprir o mandado de prisão preventiva. De acordo com Ayslan Magalhães, a equipe já esperava uma possível tentativa de fuga e utilizou um drone para auxiliar na operação.

"No momento em que a gente foi cumprir, já sabia dessa possibilidade de fuga. A gente já foi preparado com o drone e, de fato, na hora em que ele visualizou que a polícia estava chegando, tentou se evadir subindo pelo telhado e pulando os muros. A gente conseguiu capturar ele na residência vizinha", contou o delegado.

  

De acordo com o delegado, a equipe já esperava uma possível tentativa de fuga e utilizou um drone para auxiliar na operação
Reprodução

   

O delegado afirmou ainda que, além das investigações relacionadas ao tráfico de drogas, Vicente também poderá responder por crimes ligados à atuação dentro da facção criminosa. Segundo ele, durante o interrogatório, o suspeito afirmou que praticava sessões de tortura porque era obrigado pela organização.

"Ele poderá responder também pelo crime de organização criminosa ultraviolenta, que já está vigente, e também pelo crime de tortura qualificada. Ele já tem passagem. Inclusive, ele justificou, disse que a facção obrigou ele a fazer aquilo por conta de uma dívida de droga do irmão, que, inclusive, foi morto pela facção", relatou Ayslan Magalhães.

O delegado também explicou que Vicente assumiu um papel de destaque dentro da facção após mudanças na liderança do tráfico no bairro João XXIII. Segundo o delegado, a região era anteriormente controlada por um criminoso conhecido como Chapolin, que agora está preso.

  

Material apreendido pela polícia 
Reprodução

   

"O bairro João XXIII antes era dominado pelo Chapolin, que foi preso. A sua mulher e o filho foram executados pela facção. O outro filho dele, o Douglas, está preso por tráfico também. Então, o Chapolin saiu desse cenário do bairro João XXIII e outro indivíduo assumiu essa traficância lá na região. A gente conseguiu identificar todos os indivíduos. Foi essa operação que a gente fez, onde foram 12 buscas, que resultou nessa primeira prisão do Vicente. Então, o Vicente era apontado como a pessoa responsável tanto por guardar droga quanto por disciplinar usuários de droga que não pagavam a dívida do tráfico ou até mesmo indivíduos que furtavam ali na região", pontuou.

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Fonte: Portal A10+


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