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Polícia detalha operação contra rifas ilegais e afirma que núcleo intelectual de organização criminosa estava sediado em Teresina

Investigação identificou movimentação superior a R$ 11,5 milhões e realizou bloqueio de contas e apreensão de veículos


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A Polícia Civil do Piauí (PC-PI) e a Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) deram mais detalhes nesta quarta-feira (24), à TV Antena 10, sobre a operação que cumpriu mandados em Teresina e Timon, no Maranhão, contra pessoas suspeitas de envolvimento em esquemas de rifas ilegais. As investigações identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 11,5 milhões.

Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, a investigação teve início no município de Pirapora, onde foram identificadas pessoas responsáveis pela comercialização das rifas. Durante as apurações, os investigadores constataram que os sorteios eram manipulados pela organização criminosa, impedindo que os prêmios fossem efetivamente entregues aos participantes.

  

Delegado de Minas Gerais, Diego Vilhena
TV Antena 10
   

"Essa investigação iniciou-se em Minas Gerais, no município de Pirapora, onde nós identificamos diversas vendedoras que estariam vendendo rifas, e essas rifas eram vendidas pelo valor de dois reais. As vítimas compravam e os sorteios eram fraudados. A organização criminosa manipulava esses sorteios, então os prêmios sempre se acumulavam, eles nunca saíam", disse o delegado de Minas Gerais, Diego Vilhena.

As investigações também rastrearam a movimentação financeira do grupo, resultando em pedidos judiciais para bloqueio de contas e apreensão de bens considerados fruto das atividades ilícitas.


"A Polícia Civil de Minas Gerais apurou, por intermédio dessa investigação, que houve uma movimentação de mais ou menos R$ 11,5 milhões. Foi pedido um bloqueio judicial de diversas contas, mais de 40 contas bancárias entre pessoas físicas e jurídicas, algumas empresas de fachada. Foi pedido também o sequestro de 12 veículos, alguns desses veículos de luxo, cuja soma total está estimada em um montante de cerca de R$ 1,1 milhão", explicou o delegado Diego.

De acordo com o delegado, as apurações apontaram que o núcleo responsável pela coordenação do esquema criminoso estaria instalado em Teresina, de onde partiam as decisões relacionadas à fraude.

"A Polícia Civil de Minas Gerais identificou que o núcleo intelectual dessa organização criminosa ficava sediado aqui em Teresina. Eram os mentores do esquema", contou à TV Antena 10.

O delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, destacou a atuação conjunta entre as forças de segurança dos dois estados e informou que parte dos investigados já foi localizada. Segundo ele, a operação segue em andamento para localizar os demais suspeitos.

  

Delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko
TV Antena 10
   

"Nós recebemos aqui o doutor Diego Vilhena, que fez uma investigação excelente, identificando esses alvos aqui no Piauí. E nós demos todo o suporte para cumprir os mandados de busca, tentar prender esses indivíduos. Um deles já foi preso. Há três irmãos envolvidos e ainda há três foragidos. Mais um, além desses três irmãos. Então eu acredito que a operação está sendo boa. Foram também cumpridos os mandados de busca e apreensão aqui em Timon, pertinho também no Pará", falou o delegado-geral Luccy Keiko.

Ainda segundo Luccy Keiko, além do combate aos crimes patrimoniais tradicionais, as polícias judiciárias têm dado atenção especial aos golpes que atingem pessoas em situação de vulnerabilidade financeira.

"Devemos não só apurar esses crimes violentos contra o patrimônio, como roubo, por exemplo. Mas também esses golpes que geralmente lesam vítimas humildes, que são enganadas com esses jogos de azar. Também é muito importante uma atenção especial das polícias judiciárias", relatou o delegado-geral.

  

Polícia de Minas Gerais cumpre mandados contra investigados por esquema de rifas ilegais no Piauí e Maranhão
Divulgação
   

O delegado-geral também alertou para a estratégia utilizada pelos suspeitos para conquistar a confiança da população em municípios do interior, utilizando o discurso de geração de emprego e renda para ampliar a rede de vendas das rifas.

"Eles chegam ao interior, ficam cooptando pessoas para venderem. Muitas pessoas. E dizem que estão gerando emprego e renda na cidade. Eles tentam ganhar credibilidade dessa forma. Só que é um golpe. Fazem sorteios manipulados. É algo sem autorização nenhuma do Estado e começam a conseguir lucros grandes, causando prejuízo às pessoas. O delegado me relatou que foram centenas de pessoas lesadas", disse Luccy Keiko.

A operação

Segundo a polícia, o objetivo da investigação é apurar a atuação de uma organização criminosa voltada à exploração de jogos de azar, especialmente por meio do jogo denominado “Quer Ganhar”, além da prática, em tese, dos crimes de lavagem de capitais, organização criminosa e ameaças a apostadores.

O inquérito policial teve início a partir do Relatório Circunstanciado de Investigação da Polícia Civil de Minas Gerais, que identificou indícios de estrutura criminosa organizada, com divisão de tarefas, recrutamento de vendedores e utilização de pessoas físicas e jurídicas para ocultação e dissimulação de valores provenientes da atividade ilícita.

As apurações indicam que o esquema envolvia a comercialização ilícita de bilhetes numerados, manipulação de resultados por meio do controle das “sobras” de bilhetes não vendidos e uso de plataformas digitais para divulgação dos sorteios.

Fonte: Portal A10+


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