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Três homens foram indiciados pela Polícia Civil do Piauí (PCPI) pela tortura e morte de Francisco Gustavo Ferreira Araújo, de 34 anos, assassinado em fevereiro deste ano, na zona Sul de Teresina. Três suspeitos foram presos durante as investigações, enquanto um quarto investigado, apontado pela polícia como uma das lideranças da facção criminosa envolvida no caso, está sendo procurado.
De acordo com o delegado Danúbio Dias, responsável pelo caso, o quarto investigado é considerado o mais violento entre os envolvidos no crime. Além do homicídio qualificado, os três presos foram indiciados por integrarem uma organização criminosa.

“Além do indiciamento desses três que foram apresentados, o departamento conseguiu a qualificação e a individualização de um quarto elemento. Esse outro quarto elemento foi apontado na investigação como o mais violento e o mais temido na região. Esse indivíduo aí é apontado como uma das lideranças dessa facção e foi indiciado, e a prisão dele foi solicitada. Estamos aguardando aí a localização dele para que ele possa ser preso. Esses foram quatro indivíduos comprovadamente envolvidos nesse assassinato”, afirmou o delegado Danúbio Dias à TV Antena 10.
Os três presos foram identificados como Tássio, Branco e Erik. Já Ronaldo, apontado pela investigação como o quarto envolvido, está sendo procurado pela polícia.
Além da participação no homicídio, a investigação também identificou uma possível ligação dos suspeitos com uma facção criminosa. Segundo o delegado, os investigados também foram indiciados por organização criminosa e, quando ingressaram no sistema prisional, declararam integrar o Bonde dos 40.
“Além do homicídio qualificado por tortura e motivo torpe, esses indivíduos também foram indiciados por integrarem a organização criminosa Bonde dos 40. Ao entrarem no sistema prisional, eles se declararam membros integrantes da facção criminosa Bonde dos 40”, explicou.
O crime
Segundo a investigação, Francisco Gustavo tinha problemas mentais e era dependente químico. A situação teria se agravado antes do assassinato; em um episódio de agressividade, a mãe de Francisco chegou a pedir ajuda à Polícia Militar. Após esse episódio, no entanto, ela teria sido ameaçada por integrantes do tráfico que atuavam na região.

Segundo Danúbio Dias, os criminosos determinaram que a mulher não chamasse mais a polícia para a comunidade e que, caso precisasse de ajuda, deveria procurar integrantes da própria facção.
Em determinado momento, Francisco teria furtado o celular da própria mãe. Sem poder chamar a polícia por causa das ameaças, a mulher recorreu aos integrantes da facção para tentar recuperar o telefone. O pedido, porém, teria desencadeado uma sequência de acontecimentos que terminou com a morte do filho.
O delegado explicou que a mãe de Francisco não tinha conhecimento de que o pedido para recuperar o celular poderia resultar em uma punição violenta contra o próprio filho. Conforme a investigação, os criminosos teriam localizado Francisco e o levado para uma região de mata próxima à Vacaria.
“A vítima, na noite anterior ao dia 5, acabou subtraindo o celular de sua mãe, e ela, já sabendo das ameaças que tinha contra ela para que não chamasse a polícia, resolveu acionar um desses indivíduos. Eles ameaçaram a mãe da vítima de morte caso ela atraísse novamente as autoridades para a região, para o bairro onde eles moram. E, em seguida, em razão disso, ela aciona esses indivíduos para que eles recuperassem o celular, mas eles, como infelizmente no regramento, na norma perversa e cruel desses grupos organizados, eles precisavam dar um exemplo para que outros viciados não provocassem esse mesmo problema que a vítima vinha provocando. E atrás dessa Vacaria é uma região de mata, e é para essa região onde eles levam as vítimas para o que eles chamam de tribunal do crime, o que, na verdade, é uma sessão de tortura”, relatou o delegado.
Ainda segundo a polícia, Francisco foi submetido a uma sessão de tortura antes de ser morto. A vítima conseguiu deixar o local gravemente ferida e chegou à casa de um vaqueiro, onde pediu água e relatou dores. O socorro foi acionado, mas ele não resistiu.
"Esse caso é emblemático porque ele mostra o quanto essa engrenagem do crime organizado é destrutiva, o quanto ela é maléfica, tanto para quem entra no mundo do crime, os faccionários, quanto para as pessoas que acabam se viciando em decorrência das drogas que eles comercializam. Porque eles próprios viciaram a vítima e a vítima, pelo vício, como não tinha recursos, acabou cometendo esses furtos na região e atraiu a polícia, ou seja, a mesma engrenagem que atraiu a vítima para o vício foi a mesma engrenagem que a assassinou barbaramente”, afirmou.
Após o assassinato, a mãe de Francisco também teria sido vítima de ameaças. Segundo o delegado, ela foi expulsa da própria residência e não conseguiu retornar ao imóvel. Quando tentou voltar para casa, a mulher teria sido novamente ameaçada pelos integrantes da facção.
“Essa senhora, depois do crime, foi expulsa de sua residência e, desde então, não pôde mais retornar. Quando ela tentou retornar, ela foi novamente ameaçada por esses indivíduos, que só não lhe fizeram mal, não lhe fizeram nenhuma violência, porque ela começou a gritar e, por se tratar de uma idosa, a comunidade local impediu que esses indivíduos fizessem alguma agressão ou mal à mãe da vítima, que é uma idosa, que infelizmente vai ter que carregar esse remorso para o resto de sua vida”, declarou Danúbio Dias.
Entenda o caso
Francisco Gustavo Ferreira Araújo, de 34 anos, foi torturado e morto no bairro Areias, na zona Sul de Teresina, no dia 5 de fevereiro de 2026. No dia 21 de julho, três criminosos investigados pela tortura e pelo assassinato foram presos. Com o avanço das investigações, a Polícia Civil identificou e individualizou um quarto suspeito, apontado como uma das lideranças da facção e considerado o mais violento entre os envolvidos. Ele teve a prisão solicitada e segue sendo procurado.
Fonte: Portal A10+