Dudu Borges (PT) aponta falhas na comunicação, ampliar diálogo com evangélicos e militância digital forte como desafios para reeleição de Lula - Bastidores
Bastidores
POLÍTICA

Dudu Borges (PT) aponta falhas na comunicação, ampliar diálogo com evangélicos e militância digital forte como desafios para reeleição de Lula

Vereador de Teresina defende estratégia agressiva contra fake news e meta de 1,3 mi de votos no Piauí


📲 Siga o A10+ no Instagram, Facebook e Twitter.

O vereador de Teresina Dudu Borges (PT) defendeu uma guinada na estratégia do Partido dos Trabalhadores e do governo Lula para 2026, com foco em três frentes: aproximação com o eleitorado evangélico, fortalecimento massivo da militância digital e mudança de eixo na comunicação – menos ênfase apenas em programas sociais e mais em emprego, oportunidade e segurança. Em entrevista, após reunião da executiva estadual do PT, o parlamentar explicou que o partido já criou no Piauí o seu Grupo de Tática Eleitoral (GTE), espelhando a estrutura nacional, com o objetivo declarado de aumentar a votação de Lula no estado e garantir a reeleição do governador Rafael Fonteles. “A direção nacional [do PT] pontuando a estratégia e também criando o GTE, que é o Grupo de Tática Eleitoral, disparando assim também que os estados possam fazer. Aqui no Piauí mesmo, nós tivemos uma reunião da executiva estadual e se criou também o GTE estadual, para que a gente possa, agora no calendário eleitoral estabelecido pelo PT, começar também aqui as movimentações do Piauí, para que a gente possa ajudar a reeleição do Lula”, afirmou. A meta, segundo ele, é ousada: “Ultrapassando aí a barreira dos 1 milhão de votos que ele teve na eleição passada, a nossa meta é chegar a 1 milhão e 200 mil, 1 milhão e 300 mil votos, para que o Lula possa ter mais uma vez aqui no Piauí um estado mais lulista do Brasil”.

  
Vereador Dudu Borges Jade Araujo / Portal A10+
 
 
 

No plano nacional, Dudu reforça que a prioridade do PT é atrair o centro em grandes colégios eleitorais onde o partido é mais frágil, citando diretamente São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Ele lembra que, no Piauí, “de cada 10 votos da eleição passada, 8 já foram para o Lula”, o que, na sua visão, faz do estado um “problema menor” na equação eleitoral. Por isso, o debate interno está voltado a como construir palanques fortes nos grandes estados, inclusive com a possibilidade de o ministro Fernando Haddad disputar o governo de São Paulo. “Nós temos que ter um palanque forte para o Lula em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, são as três principais colagens eleitorais onde o PT é fragilizado”, resumiu. Ele também reforça a estratégia de buscar votos além da base histórica do partido: “Voto não está lá escrito, depois que é apurado na urna, voto de direita, centro e de esquerda, não. É voto que é contabilizado. É para a estratégia eleitoral do momento”.

Um dos pontos em que o vereador mais insiste é o “distanciamento” histórico entre o PT e o segmento evangélico. Dudu reconhece que há uma barreira criada por anos de desinformação e ataques dirigidos a esse público. “Uma das coisas que o Lula chamava e que eu sempre tenho debatido aqui é o distanciamento que o PT tem, ao longo dos anos, do segmento, por exemplo, evangélico. Nós precisamos nos aproximar mais ainda para que a gente quebre as fake news que foram disparadas contra nós no segmento evangélico”, disse. Ele cita diretamente a forma como temas morais foram usados contra o partido: “Como, por exemplo, as pautas que eles sempre botavam na conta do PT, na questão do aborto, um monte de mentira, que não é verdade, não é pauta do PT, mas que reverberam até hoje dentro do segmento evangélico. É um segmento importante e eleitorado grande que o PT precisa avançar. Isso foi debatido lá também”. Para o vereador, esse trabalho de aproximação exige diálogo direto, presença em igrejas e comunidades e uma narrativa que reafirme que essas acusações “não passam de fake news”.

Ao ser questionado sobre o principal ponto fraco para a reeleição de Lula, Dudu Borges aponta sem hesitar para a comunicação nas redes. Ele defende a construção de uma “gigantesca militância digital”, capilarizada em todo o país, com função de disputar narrativa e divulgar resultados concretos dos governos do PT. “Eu acredito, primeiro, [que precisamos] nos preparar para termos aí uma grande, gigantesca militância digital, que a gente possa fortalecer o partido em todos os 5.500 municípios do Brasil, com uma rede de comunicação, informando para o povo desses municípios o que o PT construiu ao longo desses governos”, argumenta. Na avaliação dele, o eleitor mudou de patamar de exigência e não se contenta mais apenas com o discurso dos programas sociais. “O povo não quer mais saber de Bolsa Família, o povo não quer mais saber de programas sociais, porque isso aí já passou a ser não ação de governo, é de obrigação. O povo quer avançar, o povo quer trabalhar, o jovem quer ter oportunidade, os evangélicos querem ter segurança”, afirma. Nesse contexto, ele sustenta que o partido precisa mostrar resultados concretos em emprego, renda, segurança e políticas públicas que atinjam diferentes perfis de eleitor.

Dudu também destaca que parte do preconceito enraizado contra o PT em segmentos conservadores e religiosos foi construída com base em mentiras, e cabe ao partido desmontar essa narrativa com informação e presença organizada nas plataformas digitais. “Essas bandeiras que foram pregadas contra nós para o segmento evangélico, isso não passou e não passa de fake news. Então o PT precisa, sim, melhorar a sua comunicação nas redes. A rede social, nesse momento, ela é decisiva em tudo na nossa vida. E na eleição não é diferente”, concluiu. Ao mesmo tempo, o vereador reafirma a estratégia interna de fortalecimento da base parlamentar, com a meta de o PT eleger pelo menos 15 deputados estaduais e chegar a cinco deputados federais no Piauí, amarrando o desempenho local ao projeto nacional de reeleição de Lula e de manutenção da hegemonia petista no estado sob a liderança do governador Rafael Fonteles.

A fala de Dudu Borges, portanto, expõe um diagnóstico direto: para vencer em 2026, o PT precisa combinar o que já tem de mais forte – programas sociais e capilaridade no Nordeste – com uma agenda de futuro que dê respostas a emprego, segurança e expectativas de jovens e evangélicos, travando essa disputa principalmente no campo da comunicação digital, onde hoje, admite o vereador, o partido ainda está em desvantagem.


Dê sua opinião:

Sobre a coluna

Wesslley Sales

Wesslley Sales

Jornalista, Especialista em Marketing Político, Mídias Sociais e Comunicação Produtor, Apresentador e Repórter na TV Antena10 Radialista e Redator

Fique conectado

Inscreva-se na nossa lista de emails para receber as principais notícias!

*nós não fazemos spam

Em destaque

Enquete

Você gosta do A10Cast, podcast da TV Antena 10?

ver resultado