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Há um movimento silencioso, por vezes nem tanto, em Teresina tentando fabricar uma crise onde, por enquanto, ela não existe: a relação entre o prefeito Silvio Mendes (UB) e o vice-prefeito Jeová Alencar (Republicanos). Nos bastidores, atua gente interessada em minar a confiança entre eles, já com foco em 2028 e, no momento, tendo como pano de fundo a disputa pela futura presidência da Câmara Municipal. A narrativa quer empurrar Jeová para o papel de “problema” interno, como se estivesse conspirando contra o prefeito.
O cálculo real, porém, é outro. Silvio sabe quanto Jeová pesou na vitória em 2024: garantiu voto, capilaridade em bairros estratégicos e ajudou a consolidar a base que levou o atual prefeito ao comando do Palácio da Cidade. Romper com quem foi decisivo na eleição, agora, seria um erro político grave para uma gestão que precisa de estabilidade, base na Câmara e ambiente favorável para entregar obras e programas. Mais que isso. Nos bastidores já há olho em cima da sucessão municipal em 2028 que, teria como acordo, apoio do Prefeito ao seu vice. Baseado nisso, caso seja verdade esse alinhamento, "não seria inteligente um rompimento ou até mesmo sabotagem um contra o outro", afirmou à coluna uma fonte ligada à gestão que chegou a nominar cada uma das pessoas interessadas em minar a relação.

Desta forma, apontam para um novo cabo de força ainda este ano. Estamos falando da eleição da Mesa Diretora da Câmara de Teresina. Embora Sílvio Mendes e Jeová Alencar afirmem que a disputa é no legislativo e por isso não haverá interferência, nos bastidores há fortes movimentações. O nome do vereador Bruno Vilarinho é tratado como favorito à Presidência, alinhado à Prefeitura e ligado a figuras de confiança do Prefeito. A articulação é para evitar disputa aberta e construir uma eleição de consenso, preservando a coesão da base. Parte do “fogo amigo” tenta usar essa disputa para pintar Jeová como alguém disposto a patrocinar outro grupo de vereadores e, assim, criar um racha. O nome seria do vereador Gustavo de Carvalho (PT), mas tudo é tratado como boato até então. Nos corredores da CMT fala-se que este teria uma menor rejeição que o líder do Palácio.
Mas, politicamente, isso não faz sentido para nenhum dos dois. Silvio precisa de Jeová para manter a Câmara sob controle e garantir governabilidade até o fim do mandato. Jeová precisa de Silvio para chegar forte à sucessão municipal. Nas conversas reservadas, o que se ouve é que o prefeito tende, inclusive, a apoiar o vice como seu sucessor natural, se a parceria seguir estável e a base atravessar a disputa da presidência da Câmara sem rupturas. Mas, essa é uma hipótese rejeitada no entorno do Prefeito, não necessariamente de pessoas tão próximas, mas em superintendências, por exemplo.
No fundo, a disputa real hoje não é entre prefeito e vice, mas entre dois projetos de bastidor: de um lado, quem quer manter a dupla unida até 2028, com Jeová acumulando capital para suceder Silvio; de outro, quem lucra com o desgaste antecipado da aliança, seja para ocupar espaço na Câmara, seja para se colocar como “terceira via” dentro do próprio campo governista. Até aqui, Silvio demonstra compreender o jogo e não parece disposto a romper com quem foi, e continua sendo, peça central do seu projeto político em Teresina.
Fonte: Portal A10+