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Atualizada às 13h43
O megaprojeto de hidrogênio verde da empresa Solatio no Piauí não foi abandonado, apesar do barulho provocado por decisões judiciais recentes. O que está em curso, segundo documentos e movimentações processuais, é uma tentativa da empresa de encerrar o processo atual para se adequar às exigências feitas pelo Ministério Público Federal e pela Justiça, especialmente na área ambiental e regulatória. Não há, até o momento, qualquer ato formal de desistência do investimento no estado.

A Solatio planeja instalar no litoral do Piauí, na região da ZPE de Parnaíba, um dos maiores projetos de produção de hidrogênio verde e amônia verde do mundo, voltado principalmente à exportação para a Europa, onde a demanda por energia limpa cresce rapidamente. O investimento previsto para a primeira fase gira em torno de R$ 27 bilhões, com potencial de expansão para cifras ainda maiores ao longo dos próximos anos, além da geração de milhares de empregos diretos e indiretos.
No processo analisado, a empresa argumenta que a ação judicial perdeu o objeto após a suspensão de licenças específicas, defendendo que o caminho agora é refazer etapas, corrigir pontos questionados e reapresentar o projeto dentro das exigências legais. Em outras palavras: a Solatio tenta “arrumar a casa” para seguir adiante, e não sair do Piauí.
O governador Rafael Fonteles tem sido um dos principais defensores do empreendimento. Em declarações recentes, ele afirmou que o hidrogênio verde é uma oportunidade histórica de transformação econômica, capaz de colocar o Piauí na vanguarda da transição energética global. Segundo Fonteles, o estado reúne sol, vento, área disponível e localização estratégica para se tornar um grande exportador de energia limpa, especialmente para o mercado europeu.
Apesar do otimismo do governo, o projeto ainda enfrenta desafios importantes. A Justiça determinou a suspensão de etapas do licenciamento até que sejam esclarecidos pontos como uso de recursos hídricos, impactos ambientais e integração ao sistema elétrico. Situações semelhantes, no entanto, já ocorreram em outros grandes empreendimentos no Brasil e costumam ser resolvidas com ajustes técnicos e novos estudos.
No cenário atual, o que existe é um impasse jurídico e ambiental, não um abandono. A disputa segue nos tribunais, enquanto o governo do estado mantém a articulação política e institucional para garantir segurança jurídica e atrair investimentos. Se destravado, o projeto da Solatio pode marcar uma virada histórica na economia piauiense, com energia limpa, indústria verde e exportação para o mundo.
CONFIRA MANIFESTAÇÃO DA EMPRESA À JUSTIÇA
Veja o que diz o governo sobre o caso
A Investe Piauí – Empresa de Atração de Investimentos Estratégicos do Estado do Piauí esclarece que: O Projeto de Hidrogênio Verde da empresa Green Energy Park continua avançando no Estado do Piauí, inclusive com aplicações direcionadas à indústria do minério de ferro. A empresa mantém sua sede em pleno funcionamento na Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Parnaíba, contando atualmente com uma equipe técnica composta por mais de uma dezena de engenheiros dedicados à finalização dos projetos, o que reafirma o compromisso do empreendimento com sua implantação no Estado.
Em paralelo, a Investe Piauí informa que o projeto da empresa Solatio encontra-se em processo de reformulação. A iniciativa aguarda a obtenção da conexão elétrica total solicitada ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para viabilização do projeto de Hidrogênio Verde, etapa técnica essencial diante da elevada demanda energética exigida por empreendimentos dessa natureza.
Diante desse cenário, e enquanto o processo junto ao ONS segue em análise, a empresa direcionou, no curto prazo, seu foco para o desenvolvimento de um projeto de Data Center Verde, atividade que demanda menor volume de energia elétrica e que será submetida a um novo processo de licenciamento ambiental junto aos órgãos competentes, observando integralmente a legislação vigente.
A agência permanece comprometida com o fortalecimento do ambiente de negócios, a transição energética e a consolidação do Piauí como destino competitivo para investimentos estruturantes de longo prazo.