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Se o prefeito cair, presidente da Câmara assume: sessão explosiva revela disputa pelo poder em São João da Serra-PI

Com julgamento que pode cassar o chefe do Executivo e processo aberto contra quem está na linha sucessória


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A política de São João da Serra vive um de seus momentos mais delicados dos últimos anos. Em um intervalo de poucos dias, os dois principais polos de poder do município — Executivo e Legislativo — passaram a ser alvos de processos que podem alterar profundamente o comando da cidade. De um lado, o prefeito enfrenta o julgamento de um recurso eleitoral que pode resultar em cassação de diploma e inelegibilidade. De outro, o presidente da Câmara, Raimundo Coimbra, tornou-se alvo de uma comissão processante instalada para apurar denúncias graves apresentadas por uma ex-secretária da Casa.

A sessão da última sexta-feira (20/02), na Câmara Municipal, foi o retrato fiel da tensão que tomou conta do cenário político local. A leitura da denúncia contra o presidente — que inclui acusações de abuso de poder, assédio moral e até ameaça — provocou bate-boca e troca de acusações entre vereadores. Apesar do clima acirrado, a denúncia foi acolhida e a abertura do processo aprovada por unanimidade. Nos bastidores, a decisão é vista como um movimento que vai além da apuração dos fatos: ela se insere em um contexto maior de disputa pelo poder.

  

Se o prefeito cair, presidente da Câmara assume: sessão explosiva revela disputa pelo poder em São João da Serra Reprodução

   

O presidente da Câmara tem prazo de cinco dias para ser notificado oficialmente. A partir daí, a comissão processante inicia a fase de instrução, garantindo direito à ampla defesa e ao contraditório. Formalmente, trata-se de um rito previsto no regimento interno e na legislação. Politicamente, porém, o peso é muito maior.

Isso porque Raimundo Coimbra está na linha sucessória direta do Executivo. Caso o prefeito seja cassado no julgamento marcado para o próximo dia 25 de fevereiro, quem assume interinamente a Prefeitura é o presidente da Câmara. É justamente esse cenário que tem alimentado a ebulição política na cidade. Vereadores ouvidos reservadamente admitem que há um ambiente de desconfiança e rivalidade. A percepção de que Coimbra poderá assumir o comando do Executivo elevou a temperatura e ampliou divisões internas.

No campo do Executivo, o processo decorre de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suposto abuso de poder e uso da máquina pública durante a campanha. Entre os pontos questionados está a possível utilização de estrutura pública na reforma de um imóvel que teria funcionado como comitê eleitoral. A decisão anterior reconheceu a procedência da ação e prevê medidas severas: cassação de diploma, inelegibilidade e multa. O recurso será julgado pela 47ª Zona Eleitoral, sediada em Altos, e o resultado pode redefinir o rumo administrativo do município.

A coincidência temporal entre os dois processos criou um ambiente de instabilidade institucional. Caso o prefeito seja mantido no cargo, o foco tende a se concentrar na investigação contra o presidente da Câmara. Caso contrário, se houver cassação, São João da Serra poderá ter uma mudança imediata no comando do Executivo — justamente sob a liderança de alguém que também estará respondendo a um processo interno.

Para a população, o cenário é de incerteza. Para o meio político, é de cálculo estratégico. Cada movimento é observado com lupa, cada declaração ganha peso ampliado. A unanimidade na abertura do processo contra o presidente pode ser interpretada tanto como compromisso institucional com a apuração quanto como reflexo de uma disputa preventiva por espaço de poder.

No fim das contas, São João da Serra se encontra diante de uma encruzilhada política: a cidade pode assistir à queda do chefe do Executivo e, simultaneamente, ao enfraquecimento do chefe do Legislativo. Mais do que nomes, o que está em jogo é a estabilidade administrativa e a confiança nas instituições locais.

Resumo – decisão que barrou sessão no fim de janeiro:

No final de janeiro, uma decisão judicial suspendeu a realização de uma sessão da Câmara Municipal que trataria de matérias sensíveis no contexto da crise política. A medida atendeu a questionamentos sobre a legalidade da convocação e dos procedimentos adotados, determinando o adiamento até que fossem sanadas possíveis irregularidades regimentais. A intervenção judicial já indicava, naquele momento, o ambiente de judicialização e tensão que hoje marca o cenário político de São João da Serra.

Fonte: Portal A10+


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Sobre a coluna

Wesslley Sales

Wesslley Sales

Jornalista, Especialista em Marketing Político, Mídias Sociais e Comunicação Produtor, Apresentador e Repórter na TV Antena10 Radialista e Redator

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