O A10Cast, podcast da TV Antena 10, recebeu, neste sábado (14), o delegado de Polícia Civil, Genival Vilela. Durante a entrevista, ele deu detalhes sobre o trabalho no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em Teresina, carreira profissional, e comentou dados de violência no estado.
Genival explicou que sempre atuou na Segurança Pública e já conta mais de 30 anos na área. "Antes de ser delegado de Polícia Civil, eu já trabalhava na área de segurança pública. Primeiramente, passei pela Marinha há vários anos, pouco tempo eu desisti, em seguida fui ao Exército, servi o período obrigatório, em seguida passei pela PMPI, eu era cabo, passei 4 anos e meio. Fui capitão da PM do Maranhão, passei quase 14 anos, ingressei na Polícia Civil do Piauí já como delegado em 2011, 15 anos aproximadamente. Trabalho no DHPP desde o final de 2018, antes disso trabalhei nas cidades de Pedro II, Oeiras e Paulistana", afirmou.
Com vasta experiência, o delegado comentou sobre as mudanças na criminalidade em comparação ao tempo em que iniciou sua carreira, destacando uma diminuição de casos de mortes violentas "Quando eu comecei aqui na Polícia Militar do Piauí foi em 1992, realmente a questão da criminalidade era diferente. Trabalhei na região do Dirceu, às vezes, tinham as ocorrências de roubo, de furto, brigas de gangues e tudo. Com o passar do tempo acabaram-se as gangues, praticamente ninguém se ouve mais falar e chegaram as facções criminosas. Infelizmente, vários dos crimes que ocorrem têm uma ligação direta ou indireta com facções. Por exemplo, hoje eu estou no departamento de homicídios, muitos homicídios, não todos, têm uma ligação com facção criminosa. Nesse ano, esperamos que continue diminuindo. Existem vários órgãos que combatem, não somente o DRACO, nós mesmos, porque quando investigamos um homicídio em si, não deixamos de investigar também a atuação de uma facção, se teve relação com aquele homicídio", afirmou.
Vilela ainda pontuou sobre a responsabilidade de investigar os homicídios que são registrados no estado, especificamente, em Teresina, por meio do DHPP. "Às vezes, alguém pode achar que porque no homicídio quem morreu foi um criminoso, a polícia não está nem aí. Não é bem verdade. Eu já até peguei casos em que o indivíduo, que matou, pensa que vai ficar por isso mesmo. Ninguém vai se interessar porque é um criminoso. Mas é uma obrigação legal nossa apurar. Claro, há, às vezes, um caso de Latrocínio de um cidadão, trabalhador, é um caso que choca, há sempre uma cobrança maior, tanto por parte da polícia, da família, da sociedade, da imprensa. Então, todos os casos são apurados e a gente espera, é claro, resolver todos", disse.
O trabalho de investigação é organizado por regiões, com delegados responsáveis por áreas específicas. Ele também acrescentou que a zona Sul registrava uma maior incidência de crimes violentos, mas esses números estão apresentando queda ao longo dos últimos anos.
"A capital é dividida por área. Então, por exemplo, tem a região sul, região sudeste, leste, a norte. São duas partes. Eu pego uma parte da região norte, outro colega pega outra parte da região norte. Então, cada setor tem um delegado responsável. De acordo onde ocorre esse homicídio, é um ou outro delegado designado. Uma região que tem uma incidência relativamente alta de homicídios, mas diminuiu, ao longo dos anos, é a região sul. Foi sempre uma região um pouco mais complicada, mas de alguns anos pra cá, diminuiu", disse.
Matheus Oliveira/ TV Antena 10
Com relação ao fato de que jovens estariam, cada vez mais, se envolvendo em grupos criminosos, ele reforçou que esse caminho não garante ganhos financeiros ou uma vida de luxo. O delegado ressaltou que durante operações, muitas vezes, encontram suspeitos vivendo em condições de extrema pobreza.
"Quando vamos fazer uma busca na casa de um suspeito de homicídio, aquele indivíduo não tem nada. Uma pobreza extrema. E, às vezes, nós nos questionamos por que ele está nessa vida. Questão de dinheiro, a gente vê que ele não tem, uma questão de uma vida de luxo, não, viajar, também não tem isso. Vive tranquilamente? não. Porque um indivíduo da criminalidade, ele tem tanto medo da polícia como de rivais e inimigos. É complicado para nós, agentes da lei, dizer por que esses jovens estão nessa vida, já que essa vida não dá praticamente nada para eles", disparou.
Ainda durante a entrevista, conduzida pela apresentadora Beatriz Ribas, o delegado contou diversos casos em que esteve à frente das investigações, incluindo as dinâmicas dos interrogatórios e outros detalhes pertinentes nos momentos das apurações.