O deputado federal Francisco Costa (PT-PI) fez duras críticas ao funcionamento das comissões parlamentares de inquérito no Brasil durante entrevista nesta segunda-feira (30). Para ele, o encerramento da CPMI que investigava fraudes na Previdência deixou mais dúvidas do que respostas. A análise aconteceu antes da solenidade de entrega de tratores para associações de 14 municípios através da Secretaria de Agricultura Familiar, recursos destinados através de emenda do parlamentar.
Sem citar nomes o deputado afirmou que desde o início, a comissão teve um rumo mais político do que investigativo. “Politizaram demais a CPMI. Buscaram criar uma cortina de fumaça sobre os verdadeiros culpados e fizeram muito teatro ao invés de investigação de verdade”. Francisco Costa também apontou que houve proteção a envolvidos e interferências que acabaram dificultando o andamento dos trabalhos. “Blindaram muitas pessoas. Houve situações em que até decisões judiciais impediram depoimentos, o que atrapalha as investigações”, disse.
O deputado fez questão de destacar que, segundo ele, o governo federal agiu ao identificar irregularidades. “Foi no governo do presidente Lula que, ao perceber a fraude, deu liberdade total para a Controladoria-Geral da União e para a Polícia Federal investigarem”. Ele também citou a devolução de valores descontados indevidamente: “muitos aposentados que não autorizaram descontos tiveram o ressarcimento garantido”.
Mesmo assim, criticou o desfecho da CPMI: “foi um encerramento equivocado, tentando culpar quem não é culpado e poupando quem realmente deveria ser responsabilizado”.
“CPIs viraram palco político”
Na avaliação do deputado, o problema vai além de um caso específico. Ele diz que há um padrão nas comissões recentes. “Infelizmente, a CPI e a CPMI acabam sendo apenas palanques. Cada um quer falar para o seu eleitor, e não investigar de verdade”, declarou.
Apesar das críticas, ele disse ainda confiar no trabalho das instituições: “acredito na Polícia Federal e na Justiça. O material levantado pode, sim, levar à punição dos culpados”.
O histórico recente: CPIs acabam em resultado ou “pizza”?
Veja o que aconteceu com algumas das principais CPIs e CPMIs dos últimos anos no Brasil:
CPMI do 8 de Janeiro (2023)
✔️ Teve relatório final aprovado
⚠️ Indiciamentos feitos, mas muitos casos ainda dependem da Justiça → resultado parcialCPI da Pandemia (2021)
✔️ Relatório com vários indiciamentos
⚠️ Poucos desdobramentos concretos até agora → considerada por muitos como “esvaziada” depoisCPI das Apostas Esportivas (Bets) (2024)
❌ Terminou sem grandes responsabilizações
👉 Forte crítica de que “deu em nada”CPI do MST (2023)
❌ Sem relatório aprovado
👉 Encerrada sem consenso → terminou enfraquecidaCPMI das Fake News (2019–2023)
❌ Nunca foi concluída oficialmente
👉 Ficou anos parada e acabou sem desfecho claro