É estranho, muito estranho, que um vereador que obteve 9.233 votos em Teresina, sendo um dos mais votados da cidade, não consiga hoje uma legenda para disputar uma vaga de deputado estadual em 2026. O caso do vereador Draga Alana expõe uma das facetas mais cruéis da política partidária brasileira: o peso do voto popular nem sempre se traduz em apoio institucional.
O PSD, partido atual de Draga Alana, terá chapa de deputados federais, uma aliança cruzada com o MDB, que foca na Assembleia Legislativa. Mas, curiosamente, não há espaço para o vereador na chapa estadual. O partido tem resistido à filiação do parlamentar, apesar de o senador Marcelo Castro já ter sinalizado positivamente em reunião interna. A decisão, porém, segue em aberto e depende de uma votação interna do partido.
“Bom, nós vamos fazer uma reunião oportunamente do MDB para decidir em definitivo essa questão. Nós já tivemos duas reuniões e ficou mais ou menos encaminhado, mas houve novos levantamentos, novos questionamentos”, contou o senador. Segundo ele, como presidente estadual da legenda, a condução será feita de forma ampla: “Eu, como presidente do partido, que nós agimos sempre de maneira colegiada e da maneira mais democrática possível, todo mundo vai ter o direito de voz, de opinar e de votar.”
Marcelo Castro deixou claro, porém, qual será sua posição pessoal na discussão interna sobre a entrada de Draga Alana no MDB. “Eu particularmente vou defender a filiação, como já defendi na reunião passada, que o Draga Alana seja filiado ao nosso partido e possa contribuir para fortalecer [o MDB] e a gente fazer uma bancada forte de deputados estaduais”, afirmou.
O impasse se agrava porque Draga Alana já foi rejeitado por outras legendas, como PT, PV e PP. O que explica esse isolamento?