A Justiça do Piauí concedeu liberdade provisória ao empresário Wesley Nascimento Fonseca, acusado de matar Ana Karine Pereira Assunção durante uma discussão em um trailer de lanches, em Teresina. A decisão, obtida pelo A10+, foi assinada pelo desembargador Pedro de Alcântara da Silva Macêdo, que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
Conforme a denúncia, Wesley responde por homicídio qualificado por motivo fútil. O crime ocorreu na madrugada de 2 de agosto de 2025, quando, segundo a acusação, ele desferiu um golpe de arma branca na região do pescoço da vítima após uma desavença relacionada ao pagamento de uma conta de cerca de R$ 30 no estabelecimento comercial.
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Na decisão, o relator entendeu que a manutenção da prisão preventiva foi fundamentada de forma genérica, sem a apresentação de fatos concretos e atuais que demonstrassem a necessidade da continuidade da medida. O magistrado destacou ainda que a instrução da primeira fase do Tribunal do Júri já foi encerrada, reduzindo os riscos de interferência na produção de provas.
O desembargador também levou em consideração que o acusado é primário, possui residência fixa, ocupação lícita e se apresentou espontaneamente à polícia após tomar conhecimento do mandado de prisão expedido contra ele. Segundo a decisão, essas circunstâncias permitem a aplicação de medidas cautelares menos gravosas que a prisão.
Com a decisão, Wesley deverá cumprir uma série de restrições, entre elas:
- comparecimento quinzenal em juízo;
- proibição de manter contato com familiares da vítima e testemunhas, mantendo distância mínima de 300 metros;
- proibição de deixar a comarca sem autorização judicial;
- recolhimento domiciliar no período noturno, das 20h às 6h;
- monitoramento por tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 180 dias.
O desembargador ressaltou que o descumprimento de qualquer uma das medidas poderá resultar na decretação de uma nova prisão preventiva. O habeas corpus ainda será analisado definitivamente pela 1ª Câmara Especializada Criminal do TJPI.
Na época do caso, a delegada Nathalia Figueiredo informou à TV Antena 10 e A10+ que toda a ação criminosa aconteceu na frente da irmã e do filho da vítima, uma criança de apenas 11 anos. A agressão aconteceu após uma discussão entre Ara Karine e Wesley, funcionário do estabelecimento e esposo da proprietária da lanchonete. A discussão teria sido motivada por uma dívida de apenas R$ 30,00.
Entenda o caso
O acusado de matar Ana Karine, de 37 anos, com um golpe de faca na nuca durante uma discussão dentro de uma hamburgueria, no Centro de Teresina, se entregou à polícia no dia 16 de agosto de 2025.
A TV Antena 10 apurou que Wesley, mais conhecido como Chinês, se dirigiu para a Central de Flagrantes acompanhado de um advogado. As informações preliminares são de que ele deverá permanecer detido em razão de um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.
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O crime, segundo a polícia, teria sido motivado por uma dívida de R$ 30. A delegada Nathalia Figueiredo, do núcleo de Feminicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, o DHPP, informou que toda a ação criminosa aconteceu na frente da irmã e do filho da vítima, uma criança de apenas 11 anos. A agressão aconteceu após uma discussão entre Ara Karine e Wesley, funcionário do estabelecimento e esposo da proprietária da lanchonete.
"De fato tudo indica que a motivação teria sido uma dívida de cerca de R$ 30 a R$ 40, em que o autor teria se enfurecido e partido, com bastante crueldade, contra a vítima, fazendo uso de um objeto perfuro cortante e atingido a região do pescoço", detalhou.
A delegada explicou ainda que o autor do crime teria inicialmente agredido a irmã de Ana Karine, com tapas, e somente em seguida desferiu o golpe de faca contra a vítima. Durante sua fala, a delegada lamentou que no momento da ocorrência, as pessoas que estavam no local priorizou os registros de filmagem da situação e não em socorrer a mulher, o que acelerou o processo da morte de Ana, que faleceu antes mesmo de ser socorrida.
"Segundo a própria irmã, no momento as pessoas se preocuparam mais em filmar e registrar aquilo, ao invés de dar o suporte necessário, que era justamente socorrer uma vítima. Isso nos deixa muito tristes. Até que ponto o ser humano está perdendo a sua humanidade?", disse.