Agripino Gomes foi condenado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Esperantina a 22 anos e 6 meses de prisão, em regime inicial fechado, pelo homicídio qualificado de Maria das Mercês dos Reis, crime ocorrido na noite de 10 de julho de 2014, na localidade Angelim, zona rural do município de Esperantina, no interior do Piauí.
Durante o julgamento, o Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), representado pelo promotor de Justiça Antenor Filgueiras Lobo Neto, sustentou que o réu assassinou a própria esposa de forma cruel, desferindo mais de 20 golpes de faca em diversas partes do corpo da vítima, dentro da residência do casal, impossibilitando qualquer chance de defesa. Os jurados reconheceram a materialidade do crime, a autoria e as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima, rejeitando o pedido de absolvição apresentado pela defesa.
A sentença destacou que Maria das Mercês dos Reis, que tinha 56 anos na época, foi morta em um contexto de violência doméstica reiterada. Antes do homicídio, Agripino Gomes já havia sido preso por agressões físicas contra a vítima, tendo cumprido mais de quatro meses de detenção na Penitenciária Regional Luís Gonzaga Rebelo, em Esperantina. À época, o caso causou grande repercussão após vir à tona que a própria vítima teria feito um empréstimo bancário para pagar a fiança e seu agressor fosse solto, fato que evidenciou o ciclo de violência ao qual estava submetida.
Na dosimetria da pena, o juiz considerou agravantes como a violência praticada contra a mulher, o meio cruel empregado e o recurso que dificultou a defesa da vítima, fixando a pena definitiva em 22 anos e 6 meses de reclusão. Em conformidade com o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), foi determinada a execução imediata da pena, com a manutenção da prisão do réu para o início do cumprimento da condenação.