Ministério da Justiça recua, reconhece falha na análise e restabelece classificação livre de desenhos bíblicos - Bastidores
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Ministério da Justiça recua, reconhece falha na análise e restabelece classificação livre de desenhos bíblicos

A mudança de posição ocorreu depois da repercussão da decisão que havia elevado a classificação indicativa dos desenhos da RECORD


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A mudança de posição ocorreu depois da repercussão da decisão que havia elevado a classificação indicativa de Record Kids – Desenhos Bíblicos, de Livre para 12 anos. Ao rever o caso, o próprio Ministério da Justiça admitiu que a avaliação anterior não aplicou integralmente os critérios de sua metodologia e deixou de considerar elementos importantes do contexto religioso e cultural das produções.

O recuo dá novo peso à crítica publicada pela coluna Bastidores, do A10+, que questionou justamente a falta de clareza nos critérios utilizados para a primeira decisão. No artigo, este colunista apontou que a classificação havia sido alterada sem que fossem apresentados, de maneira objetiva, os episódios, as cenas ou os elementos concretos que justificariam uma restrição tão significativa.

  
Ministério da Justiça recua, reconhece falha na análise e restabelece classificação livre de desenhos bíblicos Reprodução
 
 
 

A revisão foi realizada pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais, que reexaminou a classificação atribuída em 28 de outubro. Na decisão inicial, o programa havia passado da categoria Livre para “não recomendado para menores de 12 anos”, com recomendação de exibição a partir das 20h na televisão aberta.

Ao justificar a mudança, o Ministério reconheceu que a análise anterior não havia considerado adequadamente todos os fatores previstos no Guia Prático de Classificação Indicativa de 2025. Entre os pontos que deveriam ter recebido maior atenção estão o contexto cultural e religioso das histórias, a estética infantil da animação e o caráter fantasioso das cenas de violência. 

O reconhecimento é importante porque não se trata apenas de uma alteração de faixa etária. O órgão responsável pela classificação admitiu que a avaliação inicial deixou de aplicar integralmente a metodologia que deveria orientar esse tipo de decisão. Na prática, a revisão confirmou que a análise precisava considerar não apenas a presença de determinadas situações nas histórias, mas também a maneira como elas são apresentadas ao público infantil.

O programa reúne 36 episódios baseados em passagens do Antigo e do Novo Testamento. As animações abordam personagens e acontecimentos conhecidos da tradição bíblica, como Davi e Golias, Moisés, José do Egito, Daniel na cova dos leões, além de episódios relacionados à vida de Jesus Cristo, sua crucificação e ressurreição. 

A mudança de posição do Ministério também dá destaque ao questionamento apresentado pela coluna Bastidores antes do recuo oficial. Em artigo publicado quando a classificação ainda estava em vigor, o portal chamou atenção para a ausência de informações específicas sobre os motivos que levaram à elevação da faixa etária.

O texto apontou que a portaria mencionava descritores como violência, atos criminosos, drogas lícitas e estigma ou preconceito, mas não detalhava quais episódios ou cenas justificariam a mudança. A crítica não foi à existência de critérios de proteção à infância, mas à falta de fundamentação objetiva que permitisse compreender como esses elementos foram identificados e avaliados.

O artigo também destacou que a presença de guerras, conflitos, perseguições e episódios violentos em narrativas bíblicas não significa, automaticamente, que uma animação destinada ao público infantil seja inadequada para crianças. É necessário considerar o contexto da história, a forma de representação e a intensidade das cenas.

A publicação defendeu que o Ministério tem competência legal para estabelecer a classificação indicativa, mas que suas decisões precisam ser transparentes, proporcionais e sustentadas por critérios técnicos verificáveis. Sem essa explicação, uma medida administrativa pode transmitir a impressão de arbitrariedade, sobretudo quando envolve uma produção de temática religiosa. 

O reconhecimento posterior do próprio Ministério de que a metodologia não foi aplicada integralmente dialoga diretamente com o ponto central levantado pelo portal: a necessidade de uma avaliação que não se limite a identificar elementos isolados, mas considere o conjunto da obra e o contexto em que o conteúdo é apresentado.

Classificação indicativa não significava proibição

Durante a repercussão do caso, também foi necessário esclarecer o alcance da decisão inicial. A classificação indicativa não proibia crianças menores de 12 anos de assistir aos desenhos, nem determinava, por si só, que a Record retirasse o programa de sua programação matinal.

A recomendação de exibição a partir das 20h tinha caráter informativo. O Supremo Tribunal Federal já havia afastado a possibilidade de impor às emissoras uma obrigação de adequar seus horários de transmissão à classificação indicativa. O sistema serve para informar pais e responsáveis sobre o conteúdo das produções, permitindo que façam suas escolhas. 

Essa distinção é importante para evitar que o debate seja conduzido por informações imprecisas. A decisão inicial representava uma mudança na orientação etária, não uma proibição de exibição. Ainda assim, a alteração tinha consequências relevantes para a identificação do programa como conteúdo apropriado ao público infantil.

Fonte: Portal A10+


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Sobre a coluna

Wesslley Sales

Wesslley Sales

Jornalista, Especialista em Marketing Político, Mídias Sociais e Comunicação Produtor, Apresentador e Repórter na TV Antena10 Radialista e Redator

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