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A posse de um ministro indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro na presidência do Tribunal Superior Eleitoral, justamente no ciclo que conduzirá as eleições de 2026, impõe ao debate público uma contradição que vai muito além dos nomes ou das disputas institucionais. Ela escancara o caráter seletivo — e profundamente político — das narrativas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro.
Desde a derrota de Bolsonaro em 2022, setores do bolsonarismo passaram a sustentar, de forma sistemática, ataques à Justiça Eleitoral e às urnas eletrônicas. A desconfiança, repetida como mantra, sempre teve um endereço claro: o resultado que não lhes foi favorável. Agora, o cenário se altera. Dois indicados pelo ex-Presidente Jair Bolsonaro assumem o comando do TSE e serão responsáveis por arbitrar o processo eleitoral vai definir o futuro político do país em 2026: o ministro Nunes Marques, piauiense, assume o comando do TSE e o ministro André Mendonça, que assume a vice-presidência.

A pergunta que se impõe é simples, mas incômoda: se Luiz Inácio Lula da Silva (PT) for reeleito sob a presidência de um TSE comandado por um indicado de Bolsonaro, os ataques à legitimidade das urnas continuarão? Ou haverá uma nova justificativa para sustentar a narrativa de fraude? Por outro lado, caso a vitória seja de Flávio Bolsonaro ou de outro nome do campo bolsonarista, a Justiça Eleitoral — até ontem acusada de parcialidade — passará a ser subitamente confiável, técnica e democrática?
Esse movimento revela que o questionamento não está, de fato, no sistema eleitoral, mas no resultado das eleições. A confiança na Justiça deixa de ser um princípio institucional e passa a ser uma variável política: existe quando se vence, desaparece quando se perde. Trata-se de uma lógica perigosa, que corrói os pilares da democracia ao submeter instituições de Estado à conveniência momentânea de projetos de poder.
A presença de um indicado de Bolsonaro no comando do TSE desmonta, por si só, a tese de que a Corte seria um espaço monolítico, aparelhado por um único campo político. O próprio desenho institucional do Judiciário brasileiro, com mandatos, colegialidade e alternância, contraria a ideia de controle absoluto por qualquer governo. Ainda assim, a retórica da desconfiança segue útil como instrumento de mobilização de bases, discursos de ódio, geração de engajamento nas redes sociais e a manutenção da polaridade direita/esquerda, algo que é péssimo para o país.
Fonte: Portal A10+