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QUEBRANDO O TABU E GARATINDO O PRAZER

Casa do Amigo: como um programador resolveu criar um espaço voltado para encontros sexuais no PI

No coração da zona leste da capital, um empreendimento, no mínimo, ousado, que reúne pessoas para atividades prazerosas. Conheça!


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No bairro Nossa Senhora de Fátima, na zona Leste de Teresina, uma iniciativa inusitada tem chamado a atenção: a "Casa do Amigo". O projeto, idealizado por Israel Carvalho, um programador de sistemas que visa criar um espaço seguro e acolhedor para homens gays se encontrarem e explorarem sua sexualidade de forma livre e consensual.

Por meio de rede social, nossa coluna Boca a Boca conversou com o idealizador do controverso empreendimento que fez revelações sobre o surgimento do negócio, preconceitos, relação com a vizinhança e aceitação por parte do público-alvo. 

Casa do Amigo: como um programador resolveu criar um espaço voltado para encontros sexuais no PI
Reprodução

   

A ideia e aceitação do público-alvo

A iniciativa, que surgiu de encontros entre amigos, está ganhando força como um potencial negócio lucrativo para o profissional de tecnologias. “Como eu já era empreendedor na área de tecnologia e também tinha muito tempo livre, resolvi iniciar com o projeto da Casa do Amigo, para colocar em prática um plano antigo, de criar algo que eu sempre senti falta na sociedade, sendo um homem gay num mundo feito para héteros", comentou. 

Ele ainda conta que a aceitação tem sido relativamente boa, muitos participantes, e novos membros a cada encontro. “O mais difícil é lembrar o nome de todo mundo. Claro que não atendo aos interesses de todos, muitos gostariam que o projeto fosse focado mais no sexo, por exemplo”, revelou Israel.

É neste momento que ele relata o tipo de reclamação que recebe dos mais diversos clientes. “Recebo críticas do tipo: [aquele cara veio pra cá só pra dançar]. E isso é um tipo de reclamação que eu não tenho muito interesse em 'resolver', pois prefiro focar na ideia de espaço de convívio recreativo para homens que fazem sexo com homens. Afinal, eu não ofereço o serviço de prostituição”.

  

Israel Carvalho, o idealizador do empreendimento "Casa do Amigo", em Teresina
Reprodução

   

E encerra a resposta falando que oferece apenas o local, o momento, a oportunidade e a alegria para que os participantes interajam entre si e possam conseguir aquilo que buscam.

Israel Carvalho, o idealizador da "Casa do Amigo", compartilha sua visão por trás do projeto: "As festas que organizo são abertas para amigos, amigos de amigos e também para novos participantes que estejam interessados na proposta do evento", afirmou. 

De acordo com o organizador, o empreendimento funciona em um apartamento espaçoso, decorado de forma discreta e confortável, criando um ambiente propício para que os frequentadores possam se sentir à vontade. A cada evento, são reunidos homens gays para sessões de sexo livre, onde o respeito e o consentimento são palavras de ordem.

Quebrar tabus, manter segurança e resguardar privacidade

Israel explicou à coluna que um dos principais objetivos da "Casa do Amigo" é quebrar tabus e estigmas associados à sexualidade gay. “As pessoas costumam ter uma ideia equivocada de que transar, trocar carícias com outras pessoas que acabaram de conhecer é algo errado ou sujo, mas isso ao meu ver está mais para um meio que alguns utilizam para aliviar tensões e fortalecer laços de amizade. É tão bom quando temos um local seguro onde podemos expressar nossas identidades e nossos interesses, sem julgamentos sociais", disse Israel.

Para garantir a segurança e o conforto dos participantes, a "Casa do Amigo" adota um rigoroso sistema de triagem. "Sobre a segurança, todos os participantes são cadastrados previamente. Consigo validar a idade e a identidade de todos eles, antes mesmo deles saberem onde é o local da festa. Isso é importante para evitar curiosos ou oportunistas”, relatou. 

Casa do Amigo: como um programador resolveu criar um espaço voltado para encontros sexuais no PI
Reprodução

   

Ele continua explicando que todo participante, sem exceção, tem que fazer o cadastro pelo site e fornecer inclusive foto do rosto, que será devidamente comparada na portaria. “Tudo isso permite que o evento seja sempre seguro, pois se algum participante estiver mal intencionado, ele já tem a certeza de que será fácil identificá-lo e poderá ser denunciado para a polícia", detalha o profissional.

Visão de negócio

A transformação do encontro entre amigos em um negócio lucrativo passa por diversas estratégias. Israel aposta no marketing digital, aproveitando suas habilidades como programador de sistemas para criar um site exclusivo e uma plataforma onde os interessados possam se inscrever e obter mais informações. 

Além disso, são oferecidos serviços de bar e produtos de cunho sexual. A conta na rede social Instagram [@chegadenovela], já conta com quase mil seguidores.

"Como eu já era empreendedor na área de tecnologia e também tinha muito tempo livre, resolvi iniciar o projeto, para colocar em prática um plano antigo, de criar algo que eu sempre senti falta na sociedade, sendo um homem gay num mundo feito para héteros", explanou. 

Israel ainda demonstra que pretende expandir de forma ambiciosa a "Casa do Amigo" para outras cidades do Piauí e, futuramente, para outros estados.

Portaria, vizinhança e lucro

Questionado sobre como organizar esse tipo de evento e não incomodar a vizinhança ele logo responde: “O apartamento é enorme. Caberia tranquilamente 100 pessoas. Mas para melhor interação entre os participantes, eu prefiro que as festas ocorram com 30 ou 40 participantes. Geralmente todos aproveitam mais assim. Trato todos os vizinhos com respeito. Peço a colaboração dos participantes para evitar barulhos ou qualquer outro tipo de abuso. A música é mais estilo pop internacional e eletrônica, que não são estilos muitos pesados para tocar em ambientes internos, e sempre num volume tolerável pelos vizinhos”, explicou. 

O empreendimento funciona em um apartamento espaçoso, decorado de forma discreta e confortável; toalhas que são distribuídas para os convidados
Reprodução

   

A coluna ainda pergunta sobre o lucro. Com relação ao tema, o empreendedor é direto. “Como diria Copélia: "prefiro não comentar". Para quem não pegou a referência, Copélia é uma personagem do seriado Toma Lá, Dá Cá. Para quem já assistiu, Copélia apesar de idosa, é sexualmente ativa e não faz questão de esconder suas artimanhas, Além disso ela possui um espírito jovem e uma vaidade exacerbada.

A cara do negócio e o cara do negócio

Assim como o personagem citado por ele, Israel Carvalho não faz questão de esconder a cara, mesmo em meio a tanto estigma diante do conservadorismo da sociedade, ele afirmou não ter medo de julgamentos e que isso seria de certa forma sua contribuição para quebrar paradigmas e levantar sua bandeira.

“Não tenho receio. Eu até acho importante mostrar o rosto. É a minha bandeira. Todo homem hétero tem orgulho de dizer que já foi num "p*teiro", por que os gays não podem fazer o mesmo? Só quando a gente mostra a realidade das coisas é que as pessoas podem quebrar tabus e ver que o desconhecido não é tão assustador assim”, declarou. 

Críticas, participantes e cuidados com a saúde

Entre as críticas e reclamações, o idealizador do encontro sexual admite que conhecidos sempre lhe mandam prints de alguém falando do evento nas redes sociais. Mas também há um certo equilíbrio por conta dos muitos elogios, porém também há críticas baseadas em preconceitos.

“Por exemplo, já vi alguém chamar a minha festa de 'festa da sífilis', ou algo assim, não lembro direito. Mas isso só mostra o quanto essa pessoa que fez a 'piada' é desinformada. Acha que os frequentadores são analfabetos, que não utilizamos meios de proteção no ato sexual. Nem imagina que nas festas frequentam profissionais graduados de todas as áreas, inclusive médicos. Nas festas estreitamos laços de amizade e isso inclui a troca de informações sobre métodos de prevenção, mas essas críticas a partir de preconceitos não me abalam", relatou o organizador.

De acordo com Israel, o uso da PREP, que é um medicamento oferecido pelo SUS e que impede a infecção pelo vírus HIV é uma das sugestões para quem participa.

*Este conteúdo é de responsabilidade de Carlos Gaeth e não reflete, necessariamente, a opinião do A10+


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