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O município de João Costa guarda sítios arqueológicos ainda pouco conhecidos pelo grande público, mas que possuem enorme relevância histórica e cultural. Em mais uma expedição pela região, a equipe da TV Antena 10 percorreu trilhas desafiadoras para conhecer de perto riquezas naturais e vestígios arqueológicos que ajudam a contar a história da ocupação humana no semiárido piauiense.
Os caminhos atravessam áreas de vegetação nativa, contornam formações rochosas e conduzem os visitantes a cenários impressionantes, onde a natureza e a história se encontram. Entre os locais visitados está a Toca do Morcego, um importante sítio arqueológico que preserva pinturas rupestres deixadas por povos que habitaram a região há milhares de anos.
Segundo o guia turístico Alexandre Cavalcante, o local passou por escavações arqueológicas e reúne registros que ajudam pesquisadores e visitantes a compreender o modo de vida dos grupos humanos que viveram na área.
"É um local que contém pinturas que contam uma história do homem que viveu, passou por aqui, os nômades; eles eram caçadores e coletores, então eles viviam do que ele encontrava na região. Aqui foi deixado rastros deles que nós podemos observar, são pinturas feitas com óxido de ferro, que é o que predomina, que é o vermelho, nós temos também na cor amarela que é o goetita, temos o branco que é o gipsita ou caulinita e temos o preto que é de carvão vegetal ou de ossos queimados. Não é em todos os sítios que a gente encontra uma coloração preta e nem o amarelo; e tem o cinza que é uma mistura do vermelho e branco", disse Alexandre Cavalcante, guia turístico.
Além das diferentes cores e pigmentos utilizados pelos povos pré-históricos, as pinturas também apresentam características que permitem aos estudiosos identificar tradições culturais distintas. Alexandre explica que os desenhos ajudam a interpretar hábitos, costumes e formas de expressão de grupos que viveram na região em períodos remotos.
"Essas pinturas se dividem em tradições, que é a tradição nordeste e agreste e temos também a geometria dentro dessas pinturas. A tradição nordeste vai representar sempre um movimento e total preenchimento da pintura. A agreste já vai ser aquelas pinturas mais isoladas de bonecões, figuras total preenchidas tanto de pessoas ou animais. Então isso vai nos dar um direcionamento para a gente viajar no tempo", fala Alexandre Cavalcante.

O conhecimento sobre esse patrimônio histórico também transformou a realidade de muitos moradores da região. Ao longo dos anos, diversos habitantes receberam capacitação para atuar como guias turísticos e condutores de visitantes, contribuindo para a preservação dos sítios arqueológicos e para a valorização da cultura local.
Alexandre é um desses exemplos. Ele conta que sua formação foi construída por meio de cursos e experiências que lhe permitiram aprofundar os conhecimentos sobre a história e a importância da Serra da Capivara.
"Eu participei de uma das escolas dela [Niède Guidon], era um período de tempo integral. Naquela época ninguém sabia o que era nem o tempo integral em escola e ela conseguiu trazer esse processo para cá. Foi um período de muito aprendizado que ela trazia. É algo que nos dá mais um ego para poder seguir. Quando eu fiz o curso eu já acompanhava grupos. Então aí eu fiz o curso de guia de turismo e depois eu fiz o curso de condutor diretamente com o parque. Então é um aprendizado com pessoas experientes que trabalharam diretamente com Niède Guidon", conta o guia turístico.
Outro destaque encontrado em João Costa é uma das maiores pinturas rupestres de toda a região da Serra da Capivara. A dimensão da figura e o nível de detalhamento chamam a atenção dos visitantes e demonstram o cuidado empregado pelos antigos habitantes durante sua produção.

"É uma figura humana, ela tem mais de um metro e meio. Então é uma das maiores pinturas que nós temos no Parque Nacional Serra da Capivara e que encanta devido o tamanho, o cuidado que eles tiveram para fazer essa pintura, o detalhamento. Então você vê que aqui tem geometrismo por dentro e tem um adorno em cima na cabeça, como se fosse pessoas que fizessem rituais", explica.
Em cada trilha percorrida, em cada paredão observado e em cada pintura preservada nas rochas existe uma história esperando para ser descoberta. Preservar esse patrimônio com responsabilidade, mantendo os ambientes limpos e respeitando a natureza, é garantir que as futuras gerações também possam conhecer, estudar e se encantar com esse legado que atravessa milênios.
Fonte: Portal A10+