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Uma reunião reuniu representantes do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), médicos radiologistas e entidades da área para discutir a terceirização de laudos de exames radiológicos e de ultrassonografia por meio da telerradiologia. Ao todo, participaram 12 médicos radiologistas, em sua maioria integrantes do quadro da Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, lotados no Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo.
O encontro foi solicitado pelos próprios médicos, que relataram estarem impedidos de exercer funções essenciais da especialidade, como a emissão de laudos técnicos. Segundo os profissionais, a decisão teria sido comunicada pela direção geral do Lineu Araújo, e os laudos passaram a ser realizados por médicos de fora do estado, contratados por meio da telerradiologia.

Durante a reunião, o presidente do CRM-PI destacou que a telerradiologia deve ser adotada apenas em situações excepcionais, especialmente em locais remotos com carência de médicos especialistas. “Parece estar havendo uma invasão das atividades de radiologia no Lineu Araújo, uma vez que há médicos prontos para exercerem suas funções, porém não estão”, afirmou Dr. João Moura Fé. Ele acrescentou que o CRM-PI pode abrir sindicâncias para apurar denúncias de possíveis erros em laudos emitidos à distância, inclusive em processos já em andamento.
Como encaminhamento, ficou definido que a presidente da FMS, Drª Leopoldina Cipriano, e a diretora geral do Centro Integrado de Saúde Lineu Araújo serão convocadas para prestar esclarecimentos ao CRM-PI na próxima segunda-feira (26). Além disso, o Conselho realizará uma fiscalização no setor de radiologia do Lineu Araújo, responsável pela emissão de laudos distribuídos para grande parte da rede municipal de saúde.
Também participaram do encontro radiologistas do Hospital de Doenças Infecciosas Natan Portela e Sociedade Piauiense de Radiologia, diretores do Simepi e advogados da entidade.
A discussão também levou em conta a Resolução CFM nº 2.107/2014, que define a telerradiologia como um exercício médico mediado pela distância, indicado especialmente para suprir ausência de especialistas. A norma e pareceres recentes do CFM reforçam que, em unidades onde há médicos radiologistas presenciais, o serviço remoto não é o recomendado, sendo ainda obrigatória a presença de especialista para exames de maior complexidade, como os de Nível 2 (com contraste) e Nível 3 (tomografia e ressonância).
Fonte: Portal A10+