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Atualizada às 14h17
A família de Gabriele Rodrigues, de apenas 19 anos, que morreu após um grave atropelamento ocorrido no dia 1º de janeiro, na cidade de Timon, no Maranhão, pediu justiça pelo caso. Em entrevista à TV Antena 10, o pai da jovem declarou que o crime configura feminicídio e revelou que a filha vinha sendo alvo de perseguições e assédio por parte do suspeito desde o Natal. Já a prima, que também foi atropelada, contou com exclusividade os instantes de pânico e medo que enfrentou.
“É lamentável o que aconteceu. Eu queria dar uma notícia boa para quem estava orando, mas infelizmente o cérebro da minha filha não respondeu. Ela teve edema cerebral e veio a óbito. Agora, o que a gente quer é justiça para que o ato que ele fez com a minha filha não fique impune”, disse o pai, visivelmente abalado.
Segundo ele, a jovem já havia relatado em vida as perseguições do suspeito. “Ela me dizia: ‘Pai, eu não sei mais o que eu faço, esse indivíduo só me perseguindo na escola, nos lugares’. Minha filha tinha só 19 anos, tinha tudo pela frente. É muita revolta”, desabafou.
O pai afirmou que o suspeito, identificado como Francisco Luciano, seria um vizinho da família e que não aceitava as recusas da jovem. “Ele queria manter um relacionamento com ela, mas ela nunca quis nada. Ele era casado. Desde o Natal ele vinha perseguindo, dando em cima dela, seguindo em comércios e em outros lugares”, relatou.
No dia do crime, Gabriele e a prima teriam saído para comprar gelo quando foram perseguidas. “Ele seguiu as duas e jogou o carro em cima delas. Isso foi um feminicídio”, afirmou o pai.
Prima descreve dinâmica do acidente, confirma perseguição e pede justiça
A prima de Gabriele, que também foi vítima do atropelamento e passou dias internada na UTI em estado grave, recebeu alta hospitalar e relatou à TV Antena 10 detalhes sobre como o crime aconteceu. De acordo com o depoimento, as duas estavam em uma motocicleta no momento em que foram perseguidas pelo suspeito, que dirigia um carro.
“Eu quero justiça. Ela não está aqui para se defender, mas eu estou por nós. Porque isso dói muito, ele sempre perseguiu ela. A gente ficava na porta e ele ficava encarando a gente, passava o carro perto e dava em cima dela. Ela tinha acabado de terminar os estudos dela. Já pensou se fosse nós duas, quem ia falar por nós? As câmeras pegaram, mas o vizinho não quis dar as câmeras de quando ele bateu o carro. Quando vínhamos descemos lá de cima, ela parou a moto para dobrar na rua e ele jogou o carro em nós e ela caiu em frente à mureta. Eu caí de lado, fraturei o maxilar, quebrei a bacia e vou ter que usar cinta por dois meses por causa dele. A única coisa que eu peço é justiça. Ele vinha atrás da gente. Eu quero justiça, porque ela não está aqui para se defender. Daqui a pouco ela vai estar debaixo do chão e ele está solto. Está doendo muito, a gente era muito apegada. Antes do natal ele ficava perseguindo ela, a gente sentava na frente e ele ficava passando, botava a cadeira na esquina, ficando olhando para gente”, relatou.

TV Antena 10
Ela afirmou ainda que o suspeito não prestou socorro, chegou a dar marcha à ré, tirou fotos das vítimas e debochou da situação. “Ele não desceu do carro. Tirou foto e ainda disse: ‘essas duas aí estão mortas’. Aquela cena eu nunca vou esquecer”, contou.
A vítima ainda lida com as sequelas do atropelamento: “Tudo o que eu como, eu vomito. Meu estômago não desce nada. Dói, eu não consigo dormir, pensando direto, porque todo dia ela me falava que tinha que me ver. Está sendo tão difícil para mim", detalhou.
A família afirmou ainda à TV Antena 10 que imagens de câmeras de segurança teriam registrado o ocorrido, mas que um vizinho se recusa a fornecer parte das gravações. “As câmeras pegaram, mas o vizinho não quer entregar as imagens do momento em que ele bate o carro”, afirmou a prima.

TV Antena 10
O pai também pediu empenho das autoridades. “Peço ao Ministério Público e à Polícia Civil que se empenhem nesse caso. É muito revoltante. Minha filha só tinha 19 anos”, disse.
Em meio à dor e à indignação, Ivanilda, madrinha de Gabriele Rodrigues, fez um desabafo ao cobrar justiça pela morte da jovem de 19 anos. Abalada, ela relembrou à TV Antena 10 a sequência de feminicídios que tem chocado o país e pediu celeridade nas investigações, para que o suspeito seja responsabilizado e o crime não fique impune.
“Que mundo é esse que estamos hoje? Um homem bater em uma mulher, ele tem direito de espancar? Matar? Ele tem direito de bater? Eu acho que não. Ninguém tem direito de tirar a vida de ninguém. Ela era uma pessoa querida por todo mundo. Ela saiu para comprar um gelo e na hora que ela saiu, ele foi seguindo ela e fez isso. A única coisa que pedimos é justiça. Justiça pelo amor de Deus e não deixar isso impune para ele não fazer com outra Gabriele, Maria, outra Francisca onde ele encontrar”, comentou.
O que diz o suspeito?
Francisco Luciano gravou um vídeo e negou todas as acusações, afirmando que jamais faria isso. Ele também negou qualquer tipo de assédio ou envolvimento com a jovem, alegando ter família e filhos.
"Jamais eu tinha a intenção de atropelar ninguém. Principalmente uma pessoa que eu conheço, meus vizinhos perto, não tenho contato com essas pessoas, mas são vizinhos, eu nunca tive a intenção de fazer mal a ninguém. E quem me conhece sabe a minha rotina, que eu sou de casa fazendo serviço, sou um cidadão, um pai de família. Eu não gosto desse tipo de coisa que está acontecendo, eu nunca briguei com ninguém, tenho 43 anos de idade, eu nunca procurei confusão com ninguém", afirmou o suspeito.
O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão.
Fonte: Portal A10+