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A Procuradoria Regional Eleitoral do Piauí encaminhou à Polícia Federal pedido para abertura de inquérito destinado a investigar um candidato das eleições de 2026 por uma suposta ligação com organização criminosa. O nome do candidato e os detalhes do caso não foram divulgados porque o procedimento tramita sob segredo de Justiça, segundo o procurador regional eleitoral Kelston Pinheiro Lages. A informação foi divulgada pela imprensa local, enquanto o MP Eleitoral mantém a investigação sob sigilo. Kelston é o procurador regional eleitoral responsável pela fiscalização do pleito no Estado.
“Todas as medidas foram tomadas e como é um caso que corre em segredo de justiça só iremos divulgar no momento apropriado”, afirmou Kelston Lages. A decisão de preservar as informações impede, neste momento, identificar publicamente o candidato ou afirmar qual seria a organização criminosa supostamente relacionada ao caso. Trata-se de uma investigação, e não de uma conclusão de que o candidato tenha cometido crime.

O episódio ocorre em um cenário de preocupação institucional com a eventual infiltração de organizações criminosas no processo eleitoral. Em janeiro deste ano, o então presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí, desembargador Sebastião Ribeiro Martins, já havia afirmado que o Ministério Público Eleitoral poderia pedir a impugnação de candidaturas caso fossem comprovadas relações com organizações criminosas. O magistrado destacou que a análise deveria considerar elementos concretos e passar pelo devido processo legal, com oportunidade de manifestação da defesa.
Caso Tatiana Medeiros elevou alerta sobre eleições no Piauí
A nova investigação ocorre pouco depois de um dos casos mais graves envolvendo crime organizado e política eleitoral no Piauí. A vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PSB) foi condenada pela Justiça Eleitoral a 19 anos, 10 meses e 7 dias de prisão, além de 492 dias-multa, perda do mandato e proibição de exercer função pública. A sentença apontou crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
A sentença foi proferida no processo relacionado à Operação Escudo Eleitoral, que investigou a atuação de uma estrutura organizada durante as eleições municipais de 2024 em Teresina. O processo envolveu Tatiana e outros réus. Segundo a decisão judicial, a organização teria atuado na captação ilícita de votos e na movimentação de recursos para financiar a campanha da então candidata.
No processo, a investigação apontou ainda uma ligação com a facção Bonde dos 40. Documentos da ação penal descrevem o então namorado de Tatiana, Alandilson Cardoso Passos, como integrante e uma das lideranças da organização criminosa e apontam que ele teria atuado no financiamento da campanha. Essas são conclusões constantes do processo judicial e devem ser atribuídas à decisão, não apresentadas como fatos independentes da sentença.
O caso de Tatiana continua tendo desdobramentos na Justiça Eleitoral. Em agosto, o procurador regional eleitoral Kelston Lages apresentou parecer favorável à manutenção da condenação, após recurso da defesa. O processo aguarda julgamento pelo plenário do TRE-PI.
Mais de uma centena de denúncias eleitorais
Paralelamente à investigação sobre a suposta ligação de um candidato com organização criminosa, a Procuradoria Regional Eleitoral vem recebendo denúncias relacionadas a diferentes tipos de irregularidades nas eleições de 2026.
Em setembro, reportagens baseadas em informações da Justiça Eleitoral apontavam mais de 120 denúncias contra candidatos no Estado, distribuídas por dezenas de municípios. Entre os casos estavam suspeitas de propaganda irregular, conduta vedada, abuso de poder e utilização indevida de bens públicos. Naquele momento, o procurador Kelston Lages informou que oito pedidos de impugnação de candidaturas já haviam sido apresentados em razão de situações como rejeição de contas, condenações e pendências judiciais.
O número de denúncias, porém, não significa que todas as acusações tenham sido comprovadas. A própria atuação do Ministério Público Eleitoral envolve a análise preliminar das informações recebidas, coleta de provas e, quando necessário, adoção de medidas judiciais. Uma denúncia ou representação, portanto, não equivale automaticamente à existência de uma irregularidade eleitoral.
Como denunciar irregularidades
O TRE-PI mantém diferentes canais para que eleitores, candidatos e partidos comuniquem possíveis irregularidades durante a campanha. O aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebe denúncias relacionadas à propaganda eleitoral, incluindo situações ocorridas na internet, além de casos como compra de votos e uso indevido da máquina pública.
Também está disponível o Disque-Eleições, pelo telefone 0800-237-1000, além do WhatsApp do TRE-PI, no número (86) 2107-9700, opção 7, e do e-mail institucional divulgado pelo Tribunal. Para conteúdos falsos, enganosos ou fora de contexto que possam afetar a integridade das eleições, o eleitor pode utilizar o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), administrado pelo TSE.