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A aprovação, em duas votações na Câmara, da proposta que reduz a jornada de trabalho e enfraquece a escala 6x1 expôs uma das contradições mais evidentes da política brasileira recente. Na primeira votação, os 10 deputados federais do Piauí votaram favoravelmente ao texto. Já na segunda, embora nenhum parlamentar piauiense tenha votado contra, dois deputados estiveram ausentes do plenário. O episódio também evidenciou uma mudança repentina de postura de setores da direita e do bolsonarismo que até pouco tempo criticavam duramente propostas de ampliação de direitos trabalhistas.

O caso do deputado Nikolas Ferreira virou símbolo desse movimento. Antes crítico da proposta e alinhado ao discurso de que a redução da jornada poderia gerar impactos negativos na economia e no mercado de trabalho, Nikolas acabou votando favoravelmente ao texto diante da explosão de apoio popular nas redes sociais e entre trabalhadores. Uma cena chamou atenção. Durante entrevista, o parlamentar recebeu um frasco de óleo de peroba da deputada Samia Bonfim (PSOL): "o presente que ele merece por mentir tanto sobre o fim da escala 6x1. Mesmo com todos os ataques da extrema-direita, hoje o povo venceu!", disse ela nas redes sociais (VEJA O VÍDEO NO FINAL DA REPORTAGEM).
O mesmo ocorre com setores do PL e lideranças bolsonaristas que historicamente endurecem contra pautas trabalhistas, benefícios sociais e ampliação de direitos. Agora, após perceberem o tamanho do desgaste político de se posicionarem contra uma demanda popular tão forte, passaram a tentar assumir protagonismo no debate.
Nas redes, o fenômeno já ganhou um apelido: “Direita CLT Flex” — endurece contra direitos até o algoritmo mostrar que o povo apoia. É a transformação instantânea de deputados liberais em defensores do trabalhador quando a pressão popular explode.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, também passou a defender mudanças na jornada após inicialmente adotar discurso crítico à proposta original. A movimentação revela muito menos uma mudança ideológica real e muito mais uma adaptação eleitoral ao humor das ruas.
E isso ajuda a explicar um comportamento recorrente no Congresso: muitos parlamentares classificam pautas sociais como “populistas”, “inviáveis” ou “prejudiciais à economia” até perceberem que elas possuem enorme apelo popular. Quando o trabalhador transforma o tema em bandeira nacional, o discurso muda rapidamente.
A escala 6x1 mexe diretamente com a vida de milhões de brasileiros submetidos a jornadas exaustivas no comércio, serviços e atendimento. Por isso, a proposta deixou de ser apenas um debate técnico e virou uma pauta emocional, social e eleitoral.
No fim, o episódio mostra que, em Brasília, convicções muitas vezes duram apenas até a próxima pesquisa eleitoral.
Como votaram os deputados do Piauí
No primeiro turno, a proposta avançou com ampla vantagem no plenário, reunindo apoio muito acima do mínimo exigido para aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (seriam precisos 308 votos), com um placar de 472 votos favoráveis e 22 contrários. Na segunda votação, o texto voltou a ser aprovado com folga (461 a 19 votos), consolidando o apoio majoritário da Câmara à medida. Agora, a matéria segue para análise do Senado Federal.
Na primeira votação, todos os votos registrados dos parlamentares piauienses foram favoráveis à proposta.
- Castro Neto (MDB)
- Júlio Arcoverde (PP)
- Marcos Aurélio Sampaio (MDB)
- Átila Lira (PP)
- Júlio César (PSD)
- Jadyel Alencar (Republicanos)
- Flávio Nogueira (PT)
- Florentino Neto (PT)
- Merlong Solano (PT)
- Dr. Francisco (PT)
Já na segunda votação, oito parlamentares mantiveram o apoio à proposta, mas os deputados Júlio Arcoverde (PP) e Júlio César (PSD) estiveram ausentes e não participaram da votação.
CONFIRA O VÍDEO DO ÓLEO DE PEROBA: