EM TERESINA

Em julgamento, acusado de matar cabo Samuel Borges chora e afirma que agiu em legítima defesa

A vítima foi morta a tiros na frente do filho em fevereiro de 2019 em Teresina


Francisco Ribeiro dos Santos Filho, ex-soldado da Polícia Militar do Maranhão, chorou durante julgamento realizado nesta quarta-feira (28) e afirmou que agiu em legítima defesa. Ele é acusado de matar o cabo da PM, Samuel Borges, na frente do filho da vítima. O caso ocorreu em fevereiro de 2019 na zona Leste Teresina.

A defesa do réu alega que o crime foi cometido em legítima defesa. No entanto, o Ministério Público já contestou a tese e afirmou que um vídeo gravado pela própria vítima afasta a possibilidade de que o homicídio tenha sido cometido em legítima defesa. O cabo Samuel Borges foi morto a tiros nas proximidades de uma escola.

  

Cabo Samuel Borges da PM foi morto em 2019
reprodução

  

Mais cedo, familiares de Samuel Borges fizeram uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do Piauí com o intuito de chamar atenção para o caso e também para que o mesmo seja enfim elucidado e encerrado. Eles pedem a condenação máxima de Francisco Ribeiro.

Durante interrogatório, o acusado detalhes acerca do dia do crime. Ele citou que teria sido abordado pela vítima que perguntou se Francisco era PM.

“Eu me dirigia para pagar um boleto que estava vencendo no dia. Quando segui viagem na Kennedy - sentindo São Cristóvão - ele [Samuel Borges] vinha passando pelo canteiro central e visualizei ele pela primeira vez. Eu ia seguindo, momento que ia passando, foi exatamente o momento que ele vinha atravessando o canteiro, passando a Kennedy para seguir o mesmo sentido que o meu. Eu percebi que ele vinha atrás. Ele parou do meu lado e começou a me abordar. ‘Ei bicho, tu é polícia?’. Me chamando de bicho, naquele momento. [...] sou policial, operacional de rua de Timon. Ele encostou em mim na moto no sentido de abordagem e naquele momento fiquei paralisado, se diria ou não se era polícia para ele”, descreveu o ex-PM.

Ainda durante o julgamento, o réu declarou que Samuel Borges estava armado e que teria seguido pela vítima, que estava na companhia do filho. O acusado explicou que em um semáforo, após ambos terem se desencontrado, o cabo estava lhe esperando nas proximidades de uma farmácia.

  

Após vários adiamentos, julgamento ocorre nesta quarta
Thracy Oliveira / TV Antena 10

  

“Eu falei que sou polícia,  e ele: ‘Tu é polícia de onde e tal’. Pela situação, segui minha viagem. Ele ficou para trás e eu continuei na Kennedy, descendo no intuito de ir pagar o boleto na Caixa Econômica da Kennedy, quando deu na altura da Engecop, ele parou do meu lado esquerdo novamente com o mesmo intuito. Foi quando observei que ele estava armado, com uma pistola na cintura dele; a camisa tava mostrando. Ele continuou a abordagem, dizendo que eu não era policial não [...] Eu perguntei para ele: ‘Você é o que?’ E eu perguntava para ele o que ele queria comigo", disse.

O réu afirmou ainda que o cabo Samuel Borges lhe xingou e que estaria alterado no dia do caso. O acusado explicou que não estava cometendo nenhum crime e que não entendia o motivo de ter sido abordado por ele. Francisco comentou que a vítima não estava fardada e que lhe perseguiu.

  

Família do cabo Samuel Borges faz manifestação e pede condenação de acusado em Teresina
Thracy Oliveira / TV Antena 10

   

“Me dirigi para a minha moto para ir embora e achava que estava resolvido, foi no momento em que o Samuel correu até a minha moto, não deixou eu ir embora e começou a gravar novamente. Pegou a minha chave, correu e jogou dentro de um terreno baldio. Ele se virou no intuito de pegar a arma novamente e para defender disparei em direção a arma que ele ia pegar. Efetuei o disparo em direção na mão em que ele puxaria a arma para mim. Naquele momento devido à discussão acalourada, eu não observei se a criança estava lá. Os meus olhos estavam voltando a ele, ele tava armado, me ameaçando. Depois que disparei em direção a mão, não sei onde pegou, os seguranças vieram, recolheram a minha arma, eu voluntariamente entreguei a pistola; eu não resisti até porque poderia se quisesse", explanou.

  

Francisco Ribeiro é acusado de matar cabo da PM a tiros em Teresina
Reprodução

  

O réu contou que ficou em estado de choque e que não sabia o que fazer. Relembrou que após o caso, foi algemado e agredido. Emocionado, Francisco contou que não saiu de casa para cometer nenhum crime e que tentou evitar a briga que terminou na morte do cabo Samuel Borges. Por inúmeras vezes, o réu alegou que não tinha a intenção de tirar a vida do cabo da PM.

“Em nenhum momento excelência saí de casa com o intuito de cometer crime. Ingressei na polícia em 2010 em São Luís, em seguida fui trabalhar em Presidente Dutra e região. [...] sempre trabalhei dedicado ao meu serviço, não dei motivação nenhuma. A todo tempo tentei evitar, por diversas vezes. Se meu intuito fosse cometer esse crime, poderia ter feito quando avistei o Samuel, teria cometido esse ato lá no Xamegão; novamente discuti com ele na Engecop; nenhuma motivação eu dei para que isso acontecesse. Só usei arma de fogo para preservar a minha vida. Hoje em dia poderia ter sido o inverso. Quem poderia está sentado nessa cadeira seria o Samuel e eu tá no lugar dele. Eu poderia perder a minha vida. A todo momento tentei evitar a situação. Em nenhum momento tinha intenção de matar Samuel e tirar a vida dele”, finalizou.

Relembre o caso

O crime aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2019 quando o cabo da PM, Samuel de Sousa Borges, de 30 anos, estava indo deixar o filho na escola. Depois de desentendimentos entre vítima e acusado, Francisco Ribeiro efetuou três disparos contra Samuel que não resistiu e morreu no local. Horas depois, Francisco foi capturado e identificado como PM lotado no 11º Batalhão de Timon, no Maranhão.

  

Na época do caso, o réu chegou a ser agredido por populares que ficaram revoltados com o crime Reprodução

   

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Fonte: Portal A10+


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