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O delegado do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Danúbio Dias, participou do A10Cast. Durante a entrevista, ele abordou a transformação na estrutura das organizações criminosas, relembrou casos de grande repercussão no Piauí e comentou sobre o crescente envolvimento de jovens nesse cenário.
De acordo com o delegado, o crime organizado passou por grandes mudanças nas últimas décadas. Ele ressaltou ainda a influência do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) na consolidação dessas organizações criminosas no Piauí.
“Antes, as figuras que estavam dentro do próprio Estado participavam de maneira muito ativa. Nos anos 90, existia apenas a figura de quadrilha ou bando; a organização criminosa, como conhecemos hoje, nem sequer existia [...] O PCC cuidava do tráfico interno, enquanto o Comando Vermelho, comandado por Fernandinho Beira-Mar, controlava o tráfico internacional. A partir de 2016, o PCC começou a perceber que o tráfico era mais lucrativo e passou a interiorizar suas ações, estabelecendo alianças regionais e é aí que entra o Piauí”, explicou.
Em Teresina, o delegado citou que as facções começaram a absorver gangues locais, mas que essa chegada iniciou uma disputa violenta com o “Bonde dos 40” pelo controle do tráfico de drogas e disputa de território. "Aqui em Teresina pelo menos na zona Sul as facções não existiam, tinham gangues locais. Por exemplo, na zona Sul tinha a gangue da Santa Cruz, São José, a gangue do Padeiro, quando a facção vem aí essas gangues migraram para a Organização Criminosa e aqui o PCC começa a travar uma guerra contra o Bonde dos 40", detalhou.
Jovens e mulheres no mundo do crime
O delegado também comentou sobre a crescente participação de jovens no crime, que, segundo ele, são influenciados por busca de status e vaidade. Ele também citou a participação de mulheres influenciadores que atuam no papel de promover as diretrizes da organização o que acaba sendo "uma influência destrutiva na vida dos jovens".
Ele citou o caso do estudante Alex Mariano, assassinado dentro de uma escola em Teresina no último dia 14 de agosto. Na investigação, ele observou que as imagens mostram o atirador conversando com as pessoas que estavam no local e a empolgação dos jovens que eram notados por ele. "Sobre o caso do jogador do River, tudo aconteceu no dia 14, tudo foi gravado por câmeras. Foi possível visualizar de forma muito clara um jovem que estava no colégio, acho que era a segunda ou terceira vez que ele estava no colégio. Quem atirou não estava lá, mas a gente via a influência que ele exercia nos outros. A gente via a empolgação dos jovens. Antigamente para você ser popular, tinha que saber cantar, ser bonito (a). Infelizmente isso está mudando. Eu vi que os jovens se empolgaram em estar falando com assassinos”, explicou.
O delegado alertou que o envolvimento de jovens não é apenas de adolescentes pobres, mas há o envolvimento de outras classes sociais que também são atraídos para esses grupos para conseguir 'status': “Eles usam os jovens, adolescentes como um braço armado, porque eles sabem que são facilmente manipuláveis… Nem todos esses jovens são pobres, alguns entram pela vaidade”, completou.
Além do caso do estudante, ele também falou sobre outro caso de grande repercussão para destacar as consequências do envolvimento precoce com o crime, Danúbio citou o caso de Eduardo Lopes, vulgo Ramon, membro do “Bonde dos 40”. Ele era menor de idade quando assassinou um jovem a mando de um traficante e posteriormente foi executado pelo Tribunal do Crime da própria facção por suspeita de conspirar contra o próprio grupo. Para ele, o caso é emblemático pois ilustra o destino desses jovens que se envolvem com o crime.
O A10Cast vai ao ar agora todos os sábados, às 13 horas, na TV Antena 10. Acompanhe os recortes da entrevista também nas redes sociais do @portala10mais, @tvantena10 e @a10cast.
Fonte: Portal A10+