A defesa da família da estudante Janaína Bezerra irá pedir a anulação do júri do caso, que condenou o assassino Thiago Mayson da Silva Barbosa a 18 anos e seis meses de prisão. Realizado no último sábado (30), por cerca de 20 horas e após dois adiamentos, o julgamento está sendo questionado por equívocos de jurados. A qualificadora de feminicídio não foi considerada, o que poderia aumentar significativamente a condenação do réu.
Em entrevista ao A10+, a advogada Florence Rosa explicou que até a próxima sexta (06), a defesa e o Ministério Público protocolarão um recurso de apelação pedindo a anulação do júri ao Tribunal de Justiça. Segundo ela, pelas falhas observadas pela defesa, é pertinente a anulação do julgamento e a defesa têm robustos fundamentos para tal solicitação.
Nathália Carvalho
"Nós entraremos com um recurso de apelação o mais tardar, até sexta-feira, pleiteando a anulação do júri. Em nosso entendimento, tanto do Ministério Público quanto nosso, representantes dos assistentes de acusação, ocorreu um equívoco por parte dos jurados no que tange um quesito específico e por essa razão, houve a desclassificação do crime de homicídio qualificado para o culposo. Por essa razão e de acordo com nosso entendimento, é que nós protocolaremos essa apelação, pois existem robustos fundamentos para tanto. Acreditamos sim que nosso pleito será acolhido e consequentemente o acusado será levado a novo julgamento pelo Tribunal do júri, pela sociedade de Teresina”, destaca.
O assassino foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, por emprego de meio cruel, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver e fraude processual. A qualificadora de feminicídio foi rejeitada pelos jurados, o que impactou na pena “abaixo do esperado” pela acusação.
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A vítima, que tinha apenas 22 anos, foi assassinada em janeiro deste ano em uma sala da Universidade Federal do Piauí (UFPI) após calourada. O assassino foi preso horas depois do crime e, desde então, aguardava o julgamento.
Defesa de assassino pedirá a redução da sentença
Por outro lado, a defesa de Thiago Mayson da Silva Barbosa vai pedir a redução da pena, de 18 anos e seis meses de cadeia, aplicada após julgamento encerrado no sábado (30). Ao A10+, a defesa alegou que as penas foram aplicadas de forma excessiva. O assassino foi condenado pelos crimes de homicídio qualificado, por emprego de meio cruel, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver e fraude processual. A qualificadora de feminicídio, que poderia aumentar a pena até 70 anos, foi rejeitada pelos jurados.
Reprodução
"As penas foram aplicadas excessivamente e cabe a redução delas. Não existem fundamentos que passam justificar esse excesso de pena aplicada ao Thiago", afirma a advogada Jessica Teixeira ao A10+. A pena aplicada a Thiago gerou revolta de familiares e amigos de Janaína Bezerra.
Halda Regina, membro da Frente Popular de Mulheres contra o Feminicídio, grupo que tem acompanhando a mãe de Janaína, dona Maria do Socorro, em todos esses momentos, relatou em entrevista à TV Antena 10 que esperava-se uma pena de cerca de 70 anos. Ela falou que todos estão tristes e que o sentimento é ainda de impunidade.
“A gente estava esperançoso desse caso ser julgado como um caso de feminicídio devido às próprias provas que existiam. Ficamos esse tempo todo acompanhando e pensando que não seria uma pena branda, que seria uma pena máxima pela crueldade. Foi um crime muito cruel e isso afeta nossa dignidade como pessoa, como mulher e como mulher negra. Eu estou indignada com isso é o Piauí precisa fazer alguma coisa. A gente acredita que o Ministério Público e os advogados vão recorrer. A gente não pode aceitar de forma nenhuma”, disse.
Delegada diz que ficou 'surpresa'
A delegada Nathália Figueiredo, responsável pelo caso de Janaína Bezerra, contou ao A10+ que ficou surpresa que a qualificadora de feminicídio não foi aplicada na condenação de Thiago Mayson, fazendo assim com que a pena ficasse a baixo do esperado por todos.
Segundo a delegada, o processo foi feito de forma clara para que o acusado pagasse pelo crime de feminicídio contra a estudante de jornalismo. Ela relatou que Thiago assumiu o risco de matar Janaína e que agiu de forma violenta.
“Eu fiquei muito surpresa, porque de fato, tudo que foi produzido no inquérito e até mesmo até na parte processual ficou bem claro pra gente que ele assumiu o risco morte. Pelas atitudes dele, inclusive a questão do vídeo, que a gente conseguiu extrair do celular dele, ele não tinha preocupação com a integridade física da vítima”, disse ao A10+.
Nathália relembrou ainda que o crime foi filmado por Thiago, que depois tentou apagar as imagens de seu celular. Ela comentou ainda que essa foi uma decisão do júri, mas que acredita que acusação irá recorrer da decisão.
Relembre o caso
Janaína Bezerra, de apenas 22 anos, foi assassinada em uma sala da UFPI, após calourada ocorrida entre a noite de sexta-feira, 27 de janeiro, e a madrugada de sábado, dia 28. Thiago foi preso horas depois e teve a prisão preventiva decretada pela justiça no domingo, dia 29.
Reprodução
Em depoimento à polícia, ele contou que já conhecia a vítima e teriam “ficado” em outras ocasiões. Ele relatou que estavam em uma “calourada” na UFPI e que por volta das 2h convidou a jovem para seguirem a um corredor e em seguida se dirigiram a uma das salas de aula onde praticaram sexo consensual e que após a prática sexual a vítima teria ficado desacordada por duas ocasiões, sendo a última por volta das 4h.
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